Operadores do serviço de transporte semi-colectivo de passageiros, conhecidos como “Chapa 100”, paralisaram na segunda-feira (20) as suas viaturas nas principais avenidas da cidade de Pemba, capital da província de Cabo Delgado.
Como consequência, os utentes foram obrigados a percorrer longas distâncias a pé, para chegarem aos seus destinos.
A paralisação foi motivada, segundo os próprios operadores, pela alegada má actuação da Polícia de Trânsito, que estaria a aplicar multas excessivamente elevadas, o que está a desincentivar a continuidade da actividade.
Os motoristas também se queixam da existência de paragens improvisadas por parte de agentes da Polícia de Trânsito e da Polícia Municipal, que, segundo denunciam, são utilizadas para intimidação e exigência de valores monetários em troca da não emissão de multas.
A suspensão do transporte público afectou a mobilidade dos cidadãos que dependem desse meio para se deslocarem aos seus locais de trabalho e escolas.
“Não há como, temos de ir a pé. Não sabemos a que horas vamos chegar, mas como já tínhamos a intenção de sair, vamos, até chegar”, disse Mário Assane, funcionário de um estabelecimento comercial que normalmente abre às 7h00, na companhia de outras pessoas.
Mónica Luís, que pretendia chegar à escola, explicou que, apesar do uniforme estar encharcado de suor, devido ao calor intenso, o seu objectivo era não faltar às aulas.
Com a paralisação dos “chapas”, os moto taxistas aproveitaram a procura para aumentarem os preços, beneficiando-se da escassez de transporte público. Muitos cidadãos, sem alternativa, recorreram a este serviço para não se ausentarem do trabalho e evitar marcação de faltas.
Manuel Pedro, representante da Polícia, acompanhado pelo vereador dos Transportes, num encontro com os motoristas dos “Chapa 100”, afirmou que as autoridades desejam ver todos os operadores a exercerem a actividade de forma legal, cumprindo todas as normas de trânsito.
Apesar do diálogo com as autoridades, os motoristas recusaram-se a retomar à actividade, deixando os utentes com poucas alternativas de transporte.





