A cidade de Maputo registou um aumento de 46% no número de cidadãos atendidos pelos serviços de prevenção e tratamento do consumo de drogas no primeiro semestre de 2025.
Os dados foram divulgados esta quarta-feira (8) pelo director do Gabinete de Prevenção e Combate às Drogas, Filimone Naftal, durante o Fórum Multi-sectorial sobre o tema.
Segundo o responsável, 5.951 pacientes receberam assistência entre Janeiro e Junho, contra 4.070 no mesmo período do ano anterior. Deste total, 1.086 foram internados, a maioria homens, e 4.865 tratados em regime externo.
O álcool continua a ser a substância mais consumida, com 1.737 consultas externas e 402 internamentos, afectando, sobretudo, jovens, entre os 14 e 35 anos. No mesmo período, 7.731 jovens receberam acompanhamento psicossocial e 296 pacientes foram reintegrados nas suas famílias, após tratamento.
Naftal destacou a importância da reintegração social e do envolvimento familiar, enquanto o Secretário de Estado da Cidade de Maputo, Vicente Joaquim, apelou ao reforço da coordenação interinstitucional e das acções de prevenção junto da juventude.
Importa destacar que as autoridades moçambicanas reconhecem que o consumo e o tráfico de drogas continuam a constituir um dos maiores desafios à segurança, saúde pública e ao desenvolvimento sócio-económico do país.
É por esta razão que decorreu, esta semana, o debate sobre a revisão da Lei n.º 3/97, de 13 de Março, que regula o tráfico e o consumo de substâncias estupefacientes e psicotrópicas.
A revisão da legislação surge como uma oportunidade para actualizar os mecanismos legais face às novas formas de produção, transporte e consumo de drogas, reforçar a responsabilidade criminal e distinguir o traficante do consumidor, privilegiando para este último medidas de tratamento, reinserção e acompanhamento social.
O novo enquadramento jurídico deverá ainda fortalecer a cooperação internacional no combate ao tráfico, integrar uma abordagem de saúde pública centrada na reabilitação dos dependentes e consolidar políticas de prevenção através de programas educativos e comunitários.





