As doenças crónicas não-transmissíveis, associadas ao consumo excessivo de álcool, tabaco e má alimentação já representam a principal causa de mortalidade em Moçambique, ultrapassando as doenças infecciosas.
O alerta foi feito pelo ministro da Saúde, Ussene Isse, durante a inauguração do novo bloco operatório e da sala de reanimação do Hospital Geral da Beira no último sábado.
Segundo dados apresentados, estima-se que 29% das mortes no país estejam hoje ligadas a hábitos de vida nocivos, contra apenas 8% registados há cerca de duas décadas. Entre os factores mais preocupantes estão o aumento do consumo de bebidas alcoólicas, alimentos gordurosos e açucarados, aliados ao sedentarismo.
“Estamos a assistir a um crescimento de doenças de ricos em Moçambique. Passamos os fins de semana em churrascos, a beber, a fumar, a ingerir comidas gordurosas e com muito sal, mas não fazemos exercício físico. Isso está a impactar a saúde dos moçambicanos”, afirmou o ministro da Saúde.
Estudos recentes mostram que o consumo de álcool aumentou 44% nos últimos dez anos. Em 2005, cerca de 55% da população não bebia, enquanto em 2025 apenas 11% se declararam abstêmia. Actualmente, 89 em cada 100 moçambicanos consomem álcool, situação que tem levado ao aumento da mortalidade provocada por doenças não transmissíveis, passando de 8% para 29%.
Apesar da redução das mortes causadas por doenças infecciosas, como malária e tuberculose, o governante alertou para a gravidade do novo cenário: “É um desastre para o país. Um país só se desenvolve com pessoas saudáveis. Temos de mudar este quadro ”.
Durante a cerimónia, uma equipa médica realizou as primeiras cirurgias no novo bloco operatório, incluindo uma cesariana e a remoção de um tumor mamário.





