A Polícia Municipal de Maputo, em coordenação com várias direcções municipais, iniciou há duas semanas uma operação de ordenamento urbano nas principais vias protocolares da cidade, com destaque para as avenidas 24 de Julho, 25 de Setembro e Eduardo Mondlane.
Segundo o porta-voz do Conselho Municipal de Maputo, Joshua Lai, a iniciativa visa devolver “estética urbanística” e melhores condições de circulação nos passeios e estradas que estavam ocupados por vendedores informais.
Nas primeiras horas desta segunda-feira, a Polícia Municipal de Maputo posicionou-se em vários pontos estratégicos da cidade para impedir a montagem de bancas por parte dos vendedores informais. A acção gerou forte revolta e deu origem a momentos de tensão, com relatos de perseguições e da necessidade de intervenção policial para evitar confrontos directos, incluindo o arremesso de pedras.
As principais avenidas da capital, habitualmente ocupadas por vendedores informais, apresentavam-se praticamente desertas, cenário que surpreendeu muitos munícipes. Segundo testemunhas, não houve aviso prévio por parte das autoridades, o que contribuiu para o clima de tumulto e desorganização.
“Não sabíamos de nada. Apenas fomos surpreendidos logo nas primeiras horas com a polícia Municipal espalhada por toda a cidade para nos impedir de desenvolver as nossas actividades. Mas não temos como vender nos locais por eles indicados, porque são zonas com pouco movimento. Nós sobrevivemos a partir destes pontos onde agora não querem que continuemos”, declarou Cidália João Domene, vendedora ambulante.
Vários comerciantes acusam o município de Maputo de agir de forma arbitrária e sem diálogo, reforçando que a deslocação para áreas alternativas propostas pela edilidade comprometeria gravemente o sustento de muitas famílias.
Entretanto, o Conselho Municipal de Maputo diz que está a trabalhar em simultâneo com a Direcção Municipal de Mercados e Feiras, e em coordenação com associações e comissões de vendedores para realocar os comerciantes em áreas previamente identificadas na baixa da cidade, entre as avenidas Josina Machel, Fernando Magalhães, Zedequias Manganhela e Filipe Samuel Magaia.
Porém, Joshua Lai recorda ainda que continuam disponíveis bancas nos mercados formais, como o de Xipamanine, que conta com cerca de 1.400 espaços, para acolher parte dos vendedores. “O objectivo não é acabar com a venda, mas sim organizá-la”, sublinhou Lai.





