A rede televisiva Al Jazeera denunciou o agravamento da ofensiva israelita contra a liberdade de imprensa em Gaza, descrevendo a situação como “o cenário mais letal do mundo para os jornalistas”.
Segundo a emissora, 269 jornalistas foram mortos desde o início dos ataques, num plano calculado e sistemático para silenciar as testemunhas do que a emissora classifica como genocídio. O episódio mais recente foi o bombardeamento deliberado de uma tenda que servia de posto de reportagem da Al Jazeera, matando toda a equipa, incluindo o conceituado correspondente Anas Al-Sharif.
Um comunicado da estação acusa o governo israelita de escudar-se em “preocupações de segurança” para justificar o que considera execuções direccionadas a jornalistas. “Este não é um acto de defesa, é a destruição deliberada do jornalismo, que coloca em risco a vida de repórteres em todo o mundo”, sustenta a nota.
O alerta é global, se um Estado puder matar jornalistas com impunidade, todos os regimes repressivos sentir-se-ão autorizados a fazer o mesmo. “A liberdade de imprensa não morre apenas em Gaza, mas em todas as redacções que aceitarem este padrão como normal”, afirma a Al Jazeera.
O documento também critica grandes meios de comunicação, como a BBC, acusando-os de minimizar, sanitizar ou omitir os assassinatos na sua cobertura, contribuindo para um manto de silêncio sobre a guerra de Israel contra a verdade. “Gaza transformou-se num matadouro onde nem colectes de imprensa protegem contra mísseis israelitas”.
Ao proibir a entrada de jornalistas estrangeiros, Israel “transformou o jornalismo em crime e a verdade em alvo”, denuncia a Al Jazeera. Citado no comunicado, o veterano repórter Wael Al-Dahdouh afirmou após a morte do seu colega Al-Sharif que “os jornalistas palestinos deram as suas almas para entregar a verdade. Os jornalistas do mundo lhes devem não apenas simpatia, mas acção”.
A Al Jazeera termina o apelo convocando jornalistas da África do Sul e de todo o Sul Global a formarem uma frente unida para responsabilizar Israel pelos crimes de guerra. “A história de luta contra o apartheid dá uma autoridade moral única para exigir justiça. O silêncio é cumplicidade, e a sobrevivência do jornalismo depende de não se calar”, conclui.





