Director: Marcelo Mosse

Maputo -

Actualizado de Segunda a Sexta

11 de August, 2025

Suposta greve deixa passageiros da Área Metropolitana de Maputo sem transporte e FEMATRO apela ao fim de bloqueios

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Algumas rotas registaram hoje (11) perturbações, com destaque para as ligações Xiquelene-Machava e Hospital Provincial-Zimpeto, onde os transportadores semi-colectivosnão chegavam ao destino final, encerrando o percurso na primeira e segunda rotundas da Circular, o que obrigou muitos passageiros a percorrerem longas distâncias a pé. A situação estendeu-se até ao terminal da Matola-Gare, e na rota de Machava 15 foram erguidas barricadas, havendo relatos de bloqueios e intimidações contra motoristas que optaram por trabalhar. 

Apesar destes constrangimentos iniciais, “Carta” visitou alguns terminais e paragens na cidade de Maputo e constatou que, em vários pontos, o fluxo de transporte já estava normalizado no decorrer do dia.

No seu pronunciamento, a direcção da Federação Moçambicana dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO) sublinhou hoje em conferência de imprensa que a suposta greve dos transportadores, anunciada para esta segunda-feira,foi convocada através de mensagens que circularam nos últimos dias, sobretudo nas redes sociais sem conhecimento da organização e dos seus membros.

A Federação reforçou que utiliza sempre canais oficiais para comunicar qualquer decisão colectiva. “Apelamos ao não cumprimento desta agitação. Nós, como FEMATRO e nossos membros, temos portas abertas”, afirmou a liderança, acrescentando: “o método de paralisar a actividade não é ideal, porque isto só mancha a nossa actividade e só prejudica os nossos passageiros”.

A FEMATRO reconheceu que há “preocupações muito antigas” no sector e que, na semana passada, manteve um encontro com o Ministro dos Transportes e Logística, no qual apresentou as suas principais reivindicações. 

De acordo com a Federação, foi garantido que ainda esta semana serão dadas respostas às questões colocadas, mas a direcção reafirmou que não pauta a sua actuação por acçõesde rua não coordenadas. 

A organização condenou também comportamentos observados esta manhã, como o bloqueio da circulação, ameaças de furo de pneus e a obrigatoriedade imposta a outros transportadores para que paralisassem, frisando que “o transportador que vive da actividade de transporte sabe como apresentar as suas preocupações” e que a Federação “se distancia completamente destes comportamentos não adequados”.

Entre as preocupações estruturais apontadas ao Governo, a FEMATRO destacou a degradação das vias de acesso, considerando que os buracos e más condições da estrada aceleram a deterioração dos meios. Também identificou o congestionamento como um problema central, defendendo a criação de faixas dedicadas ao transporte colectivo para permitir maior produtividade. “Na hora de ponta, por exemplo, na rota Baixa-Zimpeto, o carro chega a levar duas horas e meia a três horas. Se houvesse faixas específicas, o mesmo meio, com o mesmo tempo, transportaria mais passageiros, gastaria menos embreagem e menos material de travagem, e o motorista teria menos stress”.

 

Embora tenha recebido com satisfação a recente redução dos preços dos combustíveis e das portagens, a FEMATRO afirmou que “isso não significa que o transportador neste momento está a ganhar o que matematicamente devia ganhar”.

A Federação explicou ainda que no sector actuamtransportadores não filiados e outros não licenciados, os quais podem estar por detrás de paralisações não coordenadas.

Salientou que o associativismo é livre em Moçambique e que a emissão de licenças cabe ao Governo, não às associações. Por isso, apelou às autoridades municipais e nacionais para intervirem nos terminais e paragens e resolverem os comportamentos que “só prejudicam os passageiros e mancham a actividade”. 

Reiterou que a sua actuação tem passado por sensibilizar transportadores a se licenciarem e se filiarem, de modo a canalizar as reivindicações pelas vias institucionais.

Abordando as paralisações ocasionais que têm ocorrido em alguns pontos da Área Metropolitana de Maputo, a FEMATRO considera que estas não têm trazido qualquer ganho concreto: “Perdem-se um, dois dias, depois volta-se a operar e, passado algum tempo, volta-se a parar. Nunca houve nenhum ganho por estas paralisações”.

 A direcção insistiu que é impossível negociar com grupos sem representantes identificados, e defendeu que aqueles que optam por acções deste tipo deveriam eleger porta-vozes para dialogar com a FEMATRO ou com o Governo.

Segundo dados avançados pela própria Federação, a Área Metropolitana de Maputo conta actualmente com cerca de 3 500 viaturas em operação, incluindo minibuses de 15 e 30 lugares e autocarros, embora este número varie diariamente devido à rotatividade dos meios. Para a FEMATRO, manter o sector a funcionar com regularidade, segurança e previsibilidade depende de medidas concretas que melhorem as condições de trabalho dos operadores e garantam a mobilidade dos cidadãos, evitando que episódios como o de hoje se repitam.

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