A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) veio a público, mais uma vez, denunciar a grave situação em que se encontra o Sistema Nacional de Saúde (SNS), caracterizada por uma persistente falta de resposta às comunicações feitas ao Presidente da República, à Primeira-Ministra e ao Ministério da Saúde.
Entre as principais reivindicações, os profissionais da saúde pedem a substituição imediata da equipa de negociação governamental, apontada como tecnicamente incapaz, desorganizada e desumana. Pede igualmente um diálogo franco e construtivo com representantes técnicos sensíveis às reais necessidades do sector e da população.
Das queixas apresentadas pela APSUSM consta a falta crónica de medicamentos e anestésicos em unidades sanitárias e blocos operatórios; a escassez de materiais básicos nas maternidades e salas cirúrgicas, incluindo luvas, máscaras, óculos de protecção e itens descartáveis. A agremiação queixa-se ainda de inadequações sanitárias nas infra-estruturas, com banheiros deteriorados; ambulâncias inoperacionais, devido à falta de combustível e ausência de linhas de emergência acessíveis à população.
O grupo também reclama dos internamentos precários no inverno, com pacientes sem mantas nem aquecimento; alimentação inadequada para utentes hospitalizados, condições de trabalho precárias e falta de motivação de profissionais de saúde.
A classe aponta a greve contínua dos profissionais não como uma escolha, mas sim como uma forma de protesto contra negligências institucionais e desrespeito pelos direitos humanos básicos do povo moçambicano e dos trabalhadores da saúde. “A saúde não pode esperar. Não é um simples slogan. O ‘Vamos Trabalhar’ deve traduzir-se em acção e compromisso real com o bem-estar colectivo”, sublinhou o Presidente da APSUSM, Anselmo Muchave.
Durante a conferência de imprensa realizada nesta segunda-feira (04), o grupo apelou à consolidação de protocolos formais sobre acções específicas para o sector; a clarificação das medidas emergenciais e o abastecimento de medicamentos, entre outros pontos. “O povo moçambicano sofre diariamente. Não devemos aceitar ver vidas a sucumbir por simples falta de anestésicos ou mantas num berçário”, conclui Muchave.




