O Director-Geral do Instituto Nacional de Saúde (INS), Eduardo Samo Gudo, defendeu a necessidade urgente de Moçambique investir em soluções tecnológicas sustentáveis e adaptadas ao contexto local, como forma de reforçar a capacidade nacional de investigação em saúde. A declaração foi feita durante o IV Simpósio em Saúde Global e o I Fórum da Iniciativa contra a Tuberculose, organizados pela Fundação Manhiça.
Segundo Samo Gudo, o país deve priorizar tecnologias que garantam autonomia e sustentabilidade, reduzindo a actual dependência de soluções externas. “Precisamos desenvolver tecnologias de baixo custo, mantidas com recursos internos, que tornem o sistema de saúde mais resiliente e soberano”, afirmou.
Dependência externa considerada insustentável
Actualmente, mais de 90% dos insumos médicos do Sistema Nacional de Saúde (SNS) são importados, o que, segundo o dirigente, expõe o país às flutuações do mercado internacional e à incerteza dos financiamentos externos. “A dependência tornou-se insustentável, especialmente com os cortes crescentes no apoio internacional. A ciência moçambicana deve oferecer respostas concretas e duradouras”, reforçou Samo Gudo.
Como alternativa, o responsável propôs a realização de estudos de custo-eficácia focados na realidade nacional, de modo a identificar intervenções com elevado impacto em saúde pública e economicamente viáveis. “É essencial que os nossos cientistas estudem soluções eficazes no nosso contexto”, defendeu.
Rumo a uma indústria farmacêutica nacional
Samo Gudo destacou ainda a importância de desenvolver uma indústria farmacêutica nacional robusta. A produção local de medicamentos, reagentes e outros insumos, segundo ele, contribuiria para a redução das importações, criação de empregos, aumento da arrecadação fiscal e crescimento económico.
Apesar dos desafios, o director do INS reconheceu avanços significativos na área científica. “Contamos com um parque tecnológico promissor e plataformas de investigação em vacinas, imunologia, biologia molecular e genómica. É essencial usar esses recursos de forma estratégica”, disse.
Mudanças climáticas exigem respostas inovadoras
O responsável alertou também para os riscos acrescidos provocados pelas alterações climáticas, sublinhando a urgência de um sistema de saúde mais resiliente. “Eventos climáticos extremos são cada vez mais frequentes. Só com ciência, inovação e compromisso com a sustentabilidade conseguiremos enfrentar estes desafios”, concluiu.
O evento contou com mais de 100 participantes presenciais, além de dezenas de outros em formato virtual, entre estudantes, especialistas, doadores, representantes governamentais e parceiros institucionais. (Carta)





