O Executivo Provincial de Nampula reiterou esta quinta-feira o compromisso de erradicar a desnutrição crónica, um dos maiores desafios de saúde pública, sobretudo em crianças. A promessa foi feita durante a Conferência Internacional de Agro-negócios e Nutrição, que decorreu em Nampula.
Num evento que contou com a presença de representantes do Brasil, África do Sul e Índia (presencialmente); e da Itália e França (virtualmente), o Governador de Nampula, Eduardo Abdula, considerou “inaceitáveis” os altos índices de desnutrição crónica numa província com grande potencial agrícola. “É difícil aceitar que uma província tão rica continue a liderar os piores indicadores nutricionais do país. Essa realidade é dura e preocupante, mas também é o ponto de partida para a viragem que queremos começar hoje”, declarou.
Dados do Secretariado Técnico para Segurança Alimentar e Nutricional (SETSAN), Nampula apresenta uma taxa de desnutrição crónica de 47% entre crianças menores de cinco anos, o índice mais elevado do país. A nível nacional, a média é de 37%.
Abdula defende que a solução para este flagelo não depende apenas da produção agrícola, mas também de políticas públicas integradas e da mobilização de toda sociedade. Para ele, falar de nutrição é falar de educação, saúde, agricultura, conhecimento local e compromisso humano. “Precisamos de soluções viáveis, sustentáveis e adaptadas à nossa realidade”.
O dirigente apelou à uma união de esforços entre o governo, sociedade civil, sector privado e parceiros internacionais, destacando que “a responsabilidade é de todos” e que é imperativo garantir “a todos os concidadãos o direito a uma alimentação digna, saudável e sustentável”.
Já o presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Álvaro Massingue, propôs a criação de um banco agrícola, com suporte legal e capacidade de financiamento estratégico. A proposta visa dinamizar a produção agrícola local, fortalecer cadeias de valor e melhorar a segurança alimentar, sobretudo nas zonas rurais. (Carta)





