O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) registou, no último mês, um agravamento da crise humanitária causada pela escassez de financiamento, desastres naturais e escalada da violência armada na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique.
“A escalada de violência por parte de Grupos Armados Não Estatais (GANE) continuou a provocar deslocamentos, interromper serviços essenciais, restringir severamente os movimentos, agravar a insegurança alimentar e impedir a prestação de assistência vital”, diz o relatório.
Segundo o documento, “no dia 24 de Junho, 568 indivíduos, incluindo 324 crianças, fugiram dos ataques na aldeia de Quinto Congresso em direcção à sede do distrito de Macomia, já superlotada”, elevando “o número total de pessoas deslocadas pelo conflito para 48.000 desde 1 de Janeiro”.
Os novos movimentos extremistas no norte de Moçambique incluem também Niassa, província que faz limite com Cabo Delgado, onde decapitaram pelo menos dois guardas florestais.
O relatório reconhece que o governo moçambicano facilitou os retornos em Macomia, Metuge e Montepuez, em Cabo Delgado, e recentemente em Mecula, Niassa, “em grande parte motivado pela assistência humanitária inadequada e pela superlotação nos locais para deslocados internos”.
“Os retornados não encontraram nada nas suas áreas de origem, pois, as suas casas, machambas e meios de subsistência foram destruídos e os serviços básicos não foram restabelecidos. Aqueles que optaram pelo reassentamento constataram que os locais propostos careciam de serviços essenciais. A falta de resposta aos retornos aumenta a vulnerabilidade e o risco de protecção”, diz o documento.
A organização também apontou as persistentes “necessidades e lacunas pós-ciclone” como um grande desafio. “Com restrições de financiamento, as pessoas afectadas pelos três ciclones recentes, que, além de destruir milhares de casas e infra-estrutura, causaram cerca de 175 mortes no norte e no centro do país, ainda precisam de assistência adequada”.
“As primeiras avaliações realizadas desde Março nos distritos de Lalaua e Muecate, em Nampula, revelaram que um total de 70.000 pessoas foram afectadas pelos ciclones, mas não receberam assistência desde Março”, acrescentou o relatório da OCHA. (AIM)





