A vila de Mueda, no norte da província de Cabo Delgado, vive, há meses, sob um regime de recolher obrigatório, medida adoptada pelas autoridades para reforçar a vigilância noturna, período em que, com frequência, terroristas atacam várias comunidades.
Assim, a partir das 21h00, está proibida a circulação de civis pelas ruas e principais avenidas da autarquia de Mueda. A partir dessa hora, apenas membros das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) e integrantes da força local estão autorizados a circular.
Segundo fontes locais, caso um cidadão seja interpelado depois das 21h00, pode ser sujeito a maus-tratos, cobranças ilícitas, detenção arbitrária e até execução sumária, especialmente se não estiver munido de um documento de identificação.
As autoridades locais, embora reconheçam que a medida é ilegal e constrangedora, consideram-na necessária no contexto das acções de vigilância e combate ao terrorismo. Em declarações à imprensa, o administrador de Mueda, Patrício Guilherme, justificou que a medida é uma precaução face a possíveis incursões terroristas. Alegou que é por causa de medidas como esta que a vila de Mueda nunca foi invadida por terroristas.
Refira-se que as sedes distritais vizinhas da vila de Mueda, nomeadamente, Muidumbe, Nangade e Mocímboa da Praia foram alvos de ataques terroristas, apesar da presença considerável de efectivos militares. A vila de Mueda é o centro do Teatro Operacional Norte (TON).





