Apenas 39% das crianças moçambicanas com menos de cinco anos de idade encontram-se num bom caminho em termos de desenvolvimento na primeira infância, o que significa que 61% das crianças não apresentam um bom desenvolvimento, de acordo com o Inquérito Demográfico e de Saúde (IDS) de 2022-2023.
Segundo Marla Amaro, chefe do Departamento de Nutrição do Ministério da Saúde, que falava na quinta-feira, em Maputo, durante a apresentação do IDS, estes números são preocupantes e sugerem a necessidade de implementar mais medidas destinadas a promover o aleitamento materno adequado.
As províncias de Nampula e Cabo Delgado, no norte do país, e a província da Zambézia, no centro do país, apresentam as taxas mais elevadas, “influenciadas principalmente pela insegurança alimentar, pela falta de serviços de saúde e higiene, bem como pelo saneamento precário e pelos cuidados materno-infantis inadequados. Por isso, nós, em conjunto com os nossos parceiros de cooperação, temos de melhorar este cenário.”
Ela explicou que os primeiros anos de vida de uma criança são a base do desenvolvimento para o crescimento ao longo da vida, “mas, infelizmente, a maioria delas vive na pobreza, em famílias de baixa e média renda, e são mais vulneráveis a sofrer de desnutrição crônica”.
“Além disso, os primeiros anos de vida são cruciais para a construção e aquisição de habilidades socio-emocionais, motoras e cognitivas, e para o desenvolvimento da linguagem. É sabido que o cérebro se desenvolve muito nos primeiros anos de vida”, afirmou.
Para enfrentar o desafio, especialmente em áreas vulneráveis, Amaro afirmou ser fundamental mobilizar recursos, visando a implementação de planos multissetoriais adaptados à realidade de cada comunidade.
“Estamos em processo de planejamento e, claramente, a redução dos casos de desnutrição crônica envolve diversos setores, e o trabalho de coordenação multissetorial com as comunidades é crucial”, afirmou.
Por sua vez, a representante da UNICEF, Maaike Arts, afirmou que esses números revelam profundas lacunas, como as disparidades entre áreas urbanas e rurais, entre quintis de riqueza e entre meninas e meninos.
Por isso, ela acredita que a coordenação multissetorial é essencial, “porque cada momento de carinho conta, e é por isso que investimos na fase inicial, pois é ela que nos traz mais retorno, não só em termos de desenvolvimento individual, mas também para o crescimento econômico e social de um país”. (AIM)





