Moradores do bairro de Hulene “A”, que residem nas proximidades da Lixeira municipal, saíram à rua nas primeiras horas desta quarta-feira (02), na tentativa de bloquear a Avenida Julius Nyerere, como forma de pressionar a edilidade a remover as águas pluviais estagnadas, há meses, nas vias e residências.
Os lesados alegam que vivem nessa situação há anos e já procuraram as autoridades competentes para, juntos, buscarem possíveis soluções.
“Nós queremos uma solução definitiva para o problema, mas todos os dias só ouvimos promessas que não levam a nada. Nesta zona, lidamos não só com as águas das chuvas, mas também com casas alagadas devido à má gestão do aterro sanitário. Isso faz com que, semanalmente, um vizinho ou uma criança perca a vida por causa da malária”, lamentou João Lourenço Sive, um dos moradores.
Os residentes também pedem para que a lixeira seja encerrada com urgência, pois, para além do cheiro nauseabundo, impede a normal circulação. Numa visita ao local, “Carta” apurou que, há dias, cinco membros da mesma família contraíram malária, devido ao deficiente saneamento.
Por outro lado, as águas pluviais invadiram as ruas 5 e 6 no Bairro Hulene “A”, obrigando quase todos os moradores a abandonar as suas casas. Na Rua 6, por exemplo, onde há 15 casas, apenas três ainda estão habitadas, mas cercadas pelas águas.
As famílias que insistem em permanecer nas suas casas fazem-no, em parte, por falta de condições financeiras para arrendar outro espaço ou pelo medo de abandonar as suas residências e perder tudo. A dona Lura (nome fictício), uma das fontes da “Carta”, contou que pensa em sair, uma vez que continuar na própria casa tem sido dispendioso.
“Continuar nesta casa acarreta custos altos para nós, mas arrendar também é muito caro. Meu esposo tem carro, mas devido às águas já não podemos estacioná-lo no nosso quintal. Por conta disso, somos obrigados a gastar 100 meticais por dia para o parqueamento. A água estagnada no nosso quintal misturou-se com a água do esgoto e agora somos forçados a comprar água mineral diariamente para consumo, pois não podemos mais beber a água do furo”, explicou.
A fonte acusou o Município de Maputo de falta de vontade para resolver o problema de drenagem de águas. “Este é um problema antigo. Na semana passada, instalaram uma motobomba para evacuar a água para a zona da praia da Costa do Sol, mas nem sempre a bomba está em funcionamento. O pior de tudo isto é que grande parte dos moradores destas ruas têm sido ameaçados pelo município, que alega que só irá retirar a água se deixarmos de falar à imprensa. Pedimos ao município que nos ajude a encontrar um espaço onde possamos recomeçar a vida e construir novas casas. A vida não está fácil e, se depender apenas dos nossos bolsos, será difícil sairmos desta situação”, desabafou Lura.
Ela conta ainda que tem uma vizinha que desenvolveu feridas nos pés por continuar a viver no meio da água.
Recorde-se que, na Rua 6, ainda existem sete famílias acolhidas numa escolinha. As crianças que frequentam o local são obrigadas a dividir o espaço com essas famílias, que vivem na incerteza sobre o seu futuro.