A Agência Metropolitana de Transporte de Maputo (AMT) diz que todos os 26 autocarros da rota Baixa-Boane-Baixa retomaram as actividades, quase duas semanas depois de paralisadas devido à intransitabilidade da Estrada Nacional Número 2, causada pelas cheias. Entretanto, a tarifa ainda não reduziu para 50% conforme anunciou, há quase duas semanas, o Presidente da República, Filipe Nyusi.
À “Carta”, o Presidente do Conselho de Administração (PCA) da AMT, António Matos, explicou que a medida anunciada pelo Chefe de Estado, como forma de minorar o impacto das cheias aos afectados, ainda não começou a vigorar porque ainda não se tem o registo de todas as pessoas beneficiárias.
“Este processo está em curso e de forma coordenada com as instituições que têm os dados dos afectados pelas cheias de Boane. Queremos aproveitar esta oportunidade para apelar a todos os afectados pelas cheias na região de Boane a se registarem no Município e no Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres”, explicou Matos.
Sem dados dos afectados, a fonte disse que decorre ainda o processo de registo e reassentamento dos deslocados pelas entidades competentes, faltando concluir os procedimentos que estão em curso.
“Tudo está a ser feito de modo que o passageiro afectado pelas cheias de Boane seja beneficiado na sequência desta orientação. Essa é a orientação que vamos cumprir. Tudo o resto é operacional e está a ser coordenado. A identificação é fundamental para evitar oportunistas e tornar claros os pagamentos que o Estado vai fazer no âmbito desta orientação Presidencial”, acrescentou o PCA da AMT.
Questionado sobre o recente anúncio de ajustamento do preço do bilhete em três meticais, Matos julgou tratar-se de uma solução que vai de encontro ao aumento dos combustíveis durante o ano de 2022. Entretanto, para evitar aumentos elevados e demorados, o nosso entrevistado sugere que haja uma lei que possa regular o processo.
“O mais importante é termos, num futuro breve, uma fórmula acordada entre todos os operadores e instituições do Governo, de modo a termos uma futura lei que aprova os modelos de cálculo das tarifas para o país. Com a aprovação desta lei, quaisquer aumentos futuros terão a tarifa ajustada, mediante determinados critérios, de modo que não continuemos com a actual situação, em que levamos muito tempo para actualizar a tarifa. Poderemos ter no futuro aumentos automáticos mínimos ao invés de aumentos elevados uma vez de “x” em “x” anos”, conclui o PCA da AMT.
Em entrevista anterior, Matos explicou que, com a paralisação dos autocarros, mais de 32 mil pessoas por dia não podiam ser transportadas no corredor de Boane, o que provocou uma ausência de receita global na ordem de cerca de 600 mil Meticais por dia, para toda a frota afectada. (Evaristo Chilingue)





