O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) disse, nesta terça-feira (20), que “não há dúvidas nenhumas” de que o Chief Financial Officer (CFO) do BCI (Banco Comercial e de Investimento), Pedro Ferraz Correia dos Reis, suicidou-se com recurso a uma faca e ao veneno contra ratos Ratex, numa casa-de-banho do Hotel Polana, na capital do país.
“Do trabalho feito pela equipe técnica do Serviço Nacional de Investigação Criminal, em coordenação com a Medicina Legal do Hospital Central de Maputo e magistrados do Ministério Público, não há dúvidas nenhumas de que se trata de um caso de suicídio e não de homicídio, como se tem propalado por aí. Tirou a sua própria vida por meio de instrumentos corto-perfurantes e uma substância vulgo Ratex, usada para matar ratos”, afirmou o porta-voz do SERNIC, Hilário Lole, em conferência de imprensa.
Com base em imagens captadas, Lole avançou que Reis, de 52 anos, usou uma faca de cozinha que tirou da cozinha da sua casa e um Ratex que comprou num supermercado. “Saiu do BCI por volta da 14h00, primeiramente, dirigiu-se à cozinha da sua casa onde retirou uma faca e deslocou-se a um estabelecimento comercial onde teria adquirido mais duas facas que também foram encontradas no interior da sua viatura. Dirigiu-se a um outro estabelecimento comercial sito na Avenida Marginal, onde também adquiriu veneno para ratos”, explicou.
Pedro Ferraz Correia dos Reis trancou-se numa casa-de-banho do Hotel Polana, desferiu golpes no pescoço, nos pulsos, coxas e no peito perto do coração, acrescentou o porta-voz do SERNIC. No referido supermercado, comprou duas facas, mas não as terá usado por serem leves, adiantou Hilário Lole.
Pedro Ferraz Correia dos Reis foi encontrado morto na noite de segunda-feira (19), numa casa-de-banho do Hotel Polana, em Maputo, em circunstâncias “muito misteriosas”, disse à Carta um responsável daquele estabelecimento hoteleiro, um dos emblemático de Moçambique. “Esse trágico evento ocorreu na noite de segunda-feira, numa das nossas casas-de-banho. Esteve cá no hotel o SERNIC e só eles é que podem indicar as circunstâncias do sucedido”, afirmou a fonte.
“Temos câmaras de vigilância no Hotel Polana, mas não nas casas-de-banho, obviamente, pelo que esse acontecimento brutal não está registado pelas câmaras”, avançou um responsável do hotel, concessionado pelo Estado moçambicano à Fundação Aga Khan.
O BCI emitiu uma “nota de pesar”, mas se refere apenas ao “falecimento”, não avançando as circunstâncias do infortúnio. “É com profundo pesar que informamos o falecimento do nosso administrador e amigo Dr. Pedro Ferraz Correia dos Reis, ocorrido no dia 19 de Janeiro em Maputo”, pode ler-se na nota.
O BCI realça que o banqueiro português se distinguiu, ao longo dos anos, “pelo elevado sentido de responsabilidade, pela dedicação à instituição e pelo contributo relevante para o fortalecimento da governação, da solidez e da reputação do BCI”.
Um homem “porreiro” e “discreto” que quase morria afogado na Inhaca
Uma pessoa que privou com Pedro Ferraz Correia dos Reis relatou à Carta que o banqueiro era natural do Porto e era administrador do BCI há 10 anos. Descrevendo o banqueiro como “porreiro e discreto”, a fonte recorda que, há uns anos, Reis andou perdido no mar durante cerca de oito horas, quando o barco em que ele, um outro administrador do BCI e outras pessoas naufragou, depois de ter saído, para um passeio, da Ilha da Inhaca, onde as vítimas estavam hospedadas em veraneio. “Ele teve azar em Moçambique, quase que morria afogado, e só foi dar à terra, após longas horas no mar, porque era um bom nadador”, narrou.
No incidente, provocado “pela imperícia do jovem navegador do barco” morreram outras pessoas que não sabiam nadar ou devido à idade avançada. Pedro Ferraz Correia dos Reis chegou a ser Presidente da Comissão Executiva (PCE) interino, após o então titular da função Paulo de Sousa ter sido interditado de exercer banca em Moçambique pelo Banco de Moçambique.
Pedro Ferraz Correia dos Reis licenciou-se em ‘Business Administration’ e tirou o mestrado em ‘Science in Finance’ pela Universidade Católica Portuguesa. Em 2011 terminou um ‘General Management Programme’ na Harvard Business School, em Boston, nos Estados Unidos. Iniciou a carreira profissional em 1995, como assessor do presidente do Conselho de Administração e do Director Geral no Banco de Fomento Exterior (BFE).





