Está longe do fim a crise que se vive na Renamo, com os ex-guerrilheiros a não arredar o pé na sua intenção de destituir Ossufo Momade da liderança do partido, por alegada apatia. Nesta quarta-feira, o grupo voltou a convocar a imprensa para anunciar a realização de uma reunião nacional para discutir a vida daquela formação política.
Segundo os ex-guerrilheiros da Renamo, o ex-maior partido da oposição, que perdeu o lugar para o estreante PODEMOS (constituído por dissidentes da Frelimo), está à beira do colapso e urge a necessidade de os membros se encontrarem para discutir o seu futuro, depois do descalabro verificado nas eleições autárquicas de 2023 e gerais de 2024.
“Urge a necessidade de sentarmos à mesma mesa para repensarmos o partido. Queremos convocar todos os desmobilizados da Renamo, quadros do partido a todos os níveis e todos os membros influentes para uma reunião, na qual se deve discutir a vida do partido e evitar o colapso que está iminente”, afirmou João Machava, porta-voz do grupo.
A reunião ainda não tem data e muito menos local para a sua realização, sendo que a única certeza existente é de que o Presidente da Renamo, Ossufo Momade, será convidado ao encontro, na qualidade membro do partido e ex-guerrilheiro.
João Machava, que esteve ligado à Junta Militar da Renamo liderada pelo falecido Mariano Nhongo, afirma que a liderança da Renamo continua a não atender as reivindicações do grupo, que desde princípios deste ano tem pedido a demissão de Ossufo Momade. “Eles nunca se aproximaram de nós, nunca nos ligaram. O que vemos é o silêncio total”, disse Machava.
Refira-se que a reunião nacional dos desmobilizados de guerra da Renamo é anunciada dois meses depois de a ACOLDE (Associação dos Combatentes da Luta pela Democracia) ter realizado uma conferência nacional, em Maputo, com vista a encontrar os caminhos para o fim da crise que se vive naquele partido. A reunião não contou com o grupo contestatário.
A referida conferência nacional da ACOLDE teve lugar uma semana depois de a Unidade de Intervenção Rápida (UIR), a Polícia antimotim, ter escorraçado os antigos guerrilheiros da Renamo da sede nacional daquele partido, que se encontrava tomada pelo grupo há dias. O grupo chegou a ocupar, de forma momentânea, o Gabinete do Presidente da Renamo.
Aliás, na conferência de imprensa desta quarta-feira, João Machava disse ainda estar em curso o plano de encerramento das delegações distritais e provinciais da Renamo. “As delegações ainda estão sendo encerradas. Esta semana há províncias que vão fechar”, disse o ex-militar, sem especificar as províncias onde os cadeados voltaram a ser colocados nas portas das delegações da “perdiz”, depois do cenário que se verificou entre os meses de Janeiro e Maio último. (Carta)





