A Amnistia Internacional (AI) instou as autoridades moçambicanas para garantir uma investigação rápida, independente e imparcial sobre a suspeita de envenenamento da jornalista Selma Inocência Marivate, com o objectivo de responsabilizar os responsáveis. Em carta dirigida à Procuradoria-Geral da República (PGR), aquela organização pede ainda às autoridades para que condenem publicamente quaisquer ataques ou ameaças contra jornalistas e defensores dos direitos humanos em Moçambique, garantindo que a liberdade de imprensa e, de forma mais ampla, o direito à liberdade de expressão sejam respeitados e protegidos.
Em 27 de Julho, a jornalista relatou à Anistia Internacional que suspeita ter sido envenenada com metais pesados durante uma viagem de trabalho a Maputo, em Março de 2025 para facilitar a formação de jornalistas locais.
Pouco depois de retornar à Alemanha, ela começou a apresentar sérios problemas de saúde, incluindo fadiga, fraqueza muscular, náusea, dor renal e perda de equilíbrio. Após vários testes inconclusivos, uma análise toxicológica realizada em Berlim confirmou intoxicação por metais pesados, incluindo mercúrio, cádmio, urânio e tálio, alguns encontrados em concentrações perigosamente altas. Relatórios médicos descreveram a presença de certas substâncias em “concentrações fisiologicamente inexplicáveis”.
Selma Inocência está actualmente em terapia de quelação, o tratamento padrão para intoxicação aguda ou crónica por metais pesados. Ela permanece em estado crítico, impossibilitada de trabalhar ou prosseguir os seus estudos.
“O caso foi relatado à polícia alemã, mas como é muito provável que o suposto envenenamento tenha ocorrido em Moçambique, as autoridades moçambicanas devem investigar o caso com urgência”, insiste a Amnistia Internacional.
O suposto envenenamento da jornalista moçambicana ocorreu durante um período politicamente tenso em Moçambique, marcado por protestos pós-eleitorais e um padrão de ameaças e violência contra críticos.
Selma Inocência tem sido uma voz crítica contra os abusos de direitos humanos ocorridos entre Outubro de 2024 e Fevereiro de 2025, quando quase 400 pessoas foram mortas em Moçambique durante protestos.
“Infelizmente, este não é um caso isolado. Em Dezembro de 2024, o activista moçambicano Wilker Dias, coordenador da Plataforma DECIDE, também relatou suspeitas de envenenamento em Maputo, corroboradas por evidências laboratoriais. Ele também havia viajado para Maputo por uma semana para participar de vários eventos públicos. Apesar dos apelos públicos, nenhuma investigação foi conduzida”, recorda a Amnistia Internacional.





