Em mais uma onda de protestos, desta vez contra os operadores ilegais de transporte semi-colectivo, a Avenida de Moçambique, conhecida como Estrada Nacional Nº 1 esteve bloqueada, esta quinta-feira (20), em alguns pontos da cidade de Maputo.
Informações colhidas pela “Carta” indicam que os bloqueios, feitos com recurso a autocarros, foram feitos nos bairros do Zimpeto (junto às bombas da Total, ao balcão do BCI e ao Armazém de Medicamentos) e George Dimitrov (junto à rotunda de São Roque e ao antigo terminal do Benfica).
O nosso jornal recebeu relatos de que os bloqueios também foram motivados pela contestação aos novos preços dos combustíveis, aprovados pelo Governo nesta quarta-feira (19). “Decidimos paralisar as actividades nesta quinta-feira porque já faz muito tempo que reclamamos contra os transportadores ilegais, mas as nossas associações nada fazem. Elas limitam-se apenas a cobrar-nos taxas”, disse Lopes Júlio Zunguene, um dos transportadores da rota Praça dos Combatentes – Zimpeto.
“Na nossa rota do Zimpeto, operam carros de diversas rotas, que nem sequer têm faixas e nem pagam taxas (os ditos piratas). Exigimos uma solução. Gastamos dinheiro a pagar taxas todos os dias e, no fim do dia, não conseguimos ter receita, sobretudo porque o combustível também está caro”, afirmou Jaime Armando Inguane.
Logo nas primeiras horas da manhã, várias imagens começaram a circular, mostrando autocarros estacionados no meio da estrada, impedindo a circulação normal de veículos, incluindo ambulâncias.
Fontes da “Carta” afirmaram que a intenção de bloquear a Avenida de Moçambique vem desde terça-feira, quando foi necessário chamar a Unidade de Intervenção Rápida (UIR) para restabelecer a ordem. No mesmo dia, alguns proprietários de viaturas foram obrigados a estacionar os seus veículos em pontos estratégicos, seguindo viagem a pé e enfrentando portagens clandestinas.
Outro grupo de manifestantes bloqueou a via que dá acesso ao bairro da Mozal, onde incendiou vários pneus e bloqueou a estrada com pedras gigantes. A polícia e os militares foram obrigados a intervir, disparando balas reais e lançando gás lacrimogéneo. (M. Afonso)