Uma equipa do Banco Mundial reuniu-se, na última segunda-feira (21), em Maputo, com gestores do Gabinete de Implementação do Projecto Hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa (GMNK), para se inteirar do actual estágio do Projecto. A reunião decorreu no âmbito da missão daquela instituição financeira a Moçambique, que decorre de 21 a 24 de Setembro corrente.
A sessão enquadra-se no acompanhamento do processo de desenvolvimento e estruturação do Projecto Mphanda Nkuwa, com destaque para a actualização geral do Projecto, o planeamento e a calendarização das principais actividades, bem como questões relacionadas com as reformas e o modelo do sector eléctrico.
“Ao longo da missão, estão previstas sessões técnicas e de trabalho entre o GMNK, o Banco Mundial e outros parceiros, abrangendo temas como o Estudo de Optimização em Cascata com a Hidroeléctrica de Cahora Bassa, a estratégia de contratação do construtor, o modelo de transmissão, os aspectos ambientais e sociais, compradores, o orçamento, o cronograma e a gestão de riscos”, refere uma nota da GMNK.
A missão inclui igualmente uma sessão de apresentação e discussão do Estudo de Viabilidade do Projecto Mphanda Nkuwa, envolvendo instituições e parceiros estratégicos, entre os quais a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), a Electricidade de Moçambique (EDM), o Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME) e a International Finance Corporation (IFC).
Dados oficiais mais recentes referem que o Projecto Hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa registou avanços significativos nas componentes técnica, financeira, ambiental e social, consolidando o seu posicionamento como uma das maiores iniciativas de infra-estrutura e de transformação económica de Moçambique.
No domínio da estruturação financeira, o projecto continua a mobilizar forte interesse de instituições financeiras internacionais e de parceiros estratégicos, criando condições para o fecho financeiro e para a entrada na fase de construção.
Segundo dados apresentados em Julho passado, pelo GMNK, durante a 21ª Sessão do Conselho de Ministros, o empreendimento prevê um investimento estimado entre 6 e 7 mil milhões de dólares norte-americanos. O Governo diz que houve alterações na composição do consórcio privado, mas tal não compromete o desenvolvimento do empreendimento, que mantém o seu calendário de implementação e continua a atrair novos investidores internacionais.
Entre os principais marcos alcançados destaca-se a conclusão do estudo de viabilidade da linha de transporte Tete-Maputo, uma infra-estrutura estratégica de 1.500 km que permitirá transportar energia para os principais centros de consumo, fortalecer a segurança energética nacional e aumentar a capacidade de exportação de electricidade para a região.
O cronograma de implementação prevê a conclusão da fase de desenvolvimento até 2028, o início da construção em 2029 e a entrada em operação comercial a partir de 2034. Durante a fase de construção, o projecto deverá gerar entre 6.000 e 7.000 postos de trabalho directos, enquanto as receitas públicas projectadas, para 30 anos, ascendem a cerca de 13,98 mil milhões de dólares, provenientes de impostos, taxas e dividendos ao longo da vida útil do empreendimento.
O Programa de Desenvolvimento Social (PDS), associado ao Projecto continua igualmente a produzir resultados concretos nas comunidades abrangidas, através da expansão da electrificação (e não só). Na última terça-feira (22), por exemplo, GMNK e a EDM, inauguraram, na comunidade de Nhambalale, distrito de Marara, uma linha de média tensão com cerca de 18 km e 33 Kv, que vai beneficiar directamente quatro localidades.
“Esta infra-estrutura de distribuição permitirá, numa primeira fase, beneficiar aproximadamente 4.3 mil habitantes com acesso à energia eléctrica, constituindo um importante passo para a expansão da electrificação destas comunidades a curto prazo”, refere o GMNK em comunicado.
No âmbito do PDS, o programa de electrificação contempla igualmente intervenções no distrito de Cahora Bassa, abrangendo as localidades de Maroeira-Nhandoa e Calibote, numa extensão adicional de 19 km. No total, estão previstos 46 km de linha de Média Tensão, 18 km de Baixa Tensão e 12 transformadores de 75 kVA, com potencial para beneficiar mais de 780 famílias.





