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16 de October, 2025

Suspensão da emissão de bilhetes da Emirates em Moçambique compromete o turismo e aumenta custos

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A companhia aérea Emirates suspendeu oficialmente a emissão de bilhetes para todas as agências de viagens licenciadas em Moçambique, devido à escassez de moeda estrangeira, especialmente o dólar norte-americano, no mercado nacional, facto que tem dificultado o repatriamento de receitas em moeda estrangeira.

A medida, que entrou em vigor na última segunda-feira, significa que as agências de viagem moçambicanas não podem mais emitir bilhetes da Emirates, passando a depender de intermediários estrangeiros. A Cotur é uma das principais agências de viagens de Moçambique, severamente afectada pela decisão daquela transportadora aérea dos Emirados Árabes Unidos.

Falando aos jornalistas, o Director Executivo da Cotur, Muhammad Abdullah, disse que a decisão representa um sério problema para o turismo do país. “Na prática, significa uma perda total de autonomia operacional. Esta medida tem efeitos imediatos e profundamente preocupantes para o sector. Embora a suspensão tenha entrado em vigor recentemente, os problemas por trás desta decisão remontam a 2023, com as restrições cambiais e a crescente dificuldade das companhias aéreas em transferir as suas receitas para fora do país”, afirmou o gestor citado pela Agência de Informação de Moçambique.

Abdullah explicou que a Emirates é a primeira empresa a tomar medidas drásticas, mas todas as companhias aéreas internacionais enfrentam o mesmo problema. “Se nada for feito, outras seguirão o exemplo. Outras companhias aéreas afectadas pelo mesmo problema são a Qatar Airways, a Ethiopian Airlines, a Kenya Airways, a Rwandair, a TAAG e a TAP Air Portugal, que já começaram a limitar a emissão local a bilhetes SOTO (Sold Outside, Ticketed Outside)”, alertou o gestor.

Abdullah acredita que a decisão da Emirates prejudicará o país, tornando as viagens mais caras e logisticamente complexas. “As agências de viagens perdem margem e competitividade e os passageiros, especialmente os viajantes corporativos, enfrentam atrasos, custos adicionais e perda de flexibilidade”, afirmou.

O Director Executivo da Cotur afirmou ainda que essa medida leva ao aumento dos custos operacionais e administrativos com a perda de comissões locais, incluindo uma redução no fluxo turístico devido ao aumento das tarifas e à redução dos voos. Frisou que a decisão leva, igualmente, a dificuldades de acesso a Moçambique, o que pode afastar operadores e viajantes internacionais.

A fonte acrescentou que a medida leva também ao risco de cancelamento de eventos e conferências devido à instabilidade logística. Acrescentou que causa também perda de credibilidade institucional devido ao bloqueio e atrasos no acesso à moeda estrangeira.

“Essa situação mina a confiança no sistema financeiro nacional e na capacidade do país de garantir estabilidade e previsibilidade cambial para empresas estrangeiras. O turismo é um sector estratégico e transversal – se esse ecossistema entrar em colapso, os efeitos se estenderão à hospitalidade, conferências, transporte e receita tributária”, alertou Abdullah.

Abdullah, que também é chefe das agências de viagens e operadores turísticos da Confederação das Associações Empresariais de Moçambique (CTA), desafiou o Governo a normalizar o acesso à moeda estrangeira e criar mecanismos transparentes para o repatriamento de fundos. Só assim poderemos evitar o isolamento aéreo progressivo e garantir a sustentabilidade de um sector vital para o desenvolvimento económico e para a imagem de Moçambique como destino turístico e de negócios.

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