A ponte-cais de KaNyaka, cuja inauguração está prevista para sexta-feira, representa um investimento de 14,2 milhões de dólares financiado através de parceria entre o Maputo Port Development Company (MPDC), os Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) e o Estado moçambicano, num modelo que combina desenvolvimento infraestrutural com impacto social.
O empreendimento foi apresentado ontem a jornalistas durante uma visita técnica à Ilha de Inhaca, onde os responsáveis destacaram o potencial da obra para reduzir o isolamento logístico do território e melhorar as condições de mobilidade e abastecimento.
A infraestrutura, com 988 metros de comprimento, permitirá a atracação directa de embarcações de maior porte e eliminará o actual sistema de transbordo manual de passageiros e mercadorias, actualmente necessário devido à ausência de um cais funcional.
“O grande desafio foi garantir que embarcações pudessem operar independentemente da maré e que a estrutura respondesse às condições futuras do clima e do nível do mar”, afirmou o Director de Engenharia do MPDC, Narciso Chipole.
Infraestrutura com enfoque em sustentabilidade
A construção da ponte foi condicionada pelo estatuto ambiental da Ilha de Inhaca, caracterizada por elevada biodiversidade e classificada como reserva natural.
Segundo os responsáveis técnicos, a maior parte dos componentes foi pré-fabricada no continente, na Katembe, e posteriormente transportada para a ilha, com o objectivo de reduzir impactos ambientais e limitar a movimentação de maquinaria pesada no local.
O projecto incluiu estudo de impacto ambiental, medidas de mitigação e soluções técnicas adaptadas às condições oceânicas e às previsões de alterações climáticas.
A estrutura assenta em 229 estacas, foi dimensionada para uma vida útil de 50 anos e permite acesso rodoviário até ao ponto de acostagem, facilitando o transporte directo de mercadorias.
Impacto institucional e gestão pública
Após a inauguração, a infraestrutura será entregue ao Município de Maputo, reforçando a componente pública do investimento.
Os promotores defendem que a obra constitui exemplo de parceria público-privada orientada ao benefício das comunidades locais, especialmente em territórios com limitações estruturais de acesso.
Com cerca de seis mil habitantes, a Ilha de Inhaca depende actualmente do abastecimento proveniente do continente, processo que envolve elevados custos logísticos e limita o desenvolvimento económico local.
A nova ponte deverá melhorar a mobilidade, facilitar o comércio, dinamizar o turismo e promover maior integração territorial do distrito municipal de KaNyaka.




