“O triste episódio de Helda Muianga, sem família em Portugal, revela a importância de contratação de seguro de viagem, sobretudo em caso de viagem ao estrangeiro, ainda que este não seja, como sucede certas vezes, obrigatório, bem como a relevância de os segurados partilharem toda a informação relevante com alguém da sua confiança, para os devidos efeitos, caso algo indesejado aconteça”.
Os restos mortais da moçambicana Helda Zeca Muianga, falecida a 28 de Janeiro último em Leiria, Portugal, vítima da depressão Kristin, chegam a Maputo esta semana, em voo da TAAG, apurou Carta de fontes diplomáticas.
Esforços empreendidos pela Embaixada de Moçambique em Portugal permitiram descobrir que os custos da transladação dos restos mortais de Helda, de 28 anos de idade, já estavam, afinal,cobertos, através do seguro de viagem internacional que ela própria contratou em Maputo, antes de seguir para aquele país europeu.
Carta sabe que, contactada a seguradora da finada, por uma entidade governamental, a mesma cuidou de verificar e confirmar que a apólice do seguro de viagem internacional daquela jovem moçambicana cobre, na íntegra, os custos de transladação de restos mortais, caso a segurada perdesse a vida estando em Portugal, como viria a acontecer.
“A família, com a campanha de mobilização de apoios que desencadeou, agiu de boa-fé, uma vez que não tinha informação sobre a cobertura dos custos de transporte dos restos mortais da sua ente querida para Moçambique”, precisou a nossa fonte.
Neste momento, os restos mortais de Helda encontra-se, desde ontem, em Lisboa, capital portuguesa, em processo de embalsamento, o que está a ser administrado por uma agência funerária. Entre quinta e sexta-feira desta semana, a família da falecida vai receber, no Aeroporto Internacional de Maputo, os restos mortais daquela cidadã moçambicana, que se encontrava em Portugal há menos de 30 dias, com visto de procura de trabalho, emitido nos termos do artigo 57-A da lei [portuguesa] número 18/2022.
A transladação dos restos mortais de Helda tem o custo de 367.820 meticais, conforme o atestam documentos consultados pela Carta.
Um dia depois de ter perdido a vida, ou seja, a 29 de Janeiro último, a Embaixada de Moçambique em Portugal recebeu informação sobre o infortúnio, numa altura em que Leiria não tinha energia eléctrica, por conta dos estragos da depressão Kristin, e, por isso, sem condições de conservação do cadáver da Helda.
Em fase dessa situação, as autoridades moçambicanas diligenciaram, de imediato, para que o corpo daquela moçambicana fosse levado aos serviços de medicina legal de Coimbra, que dista a 75 quilómetros de Leiria, onde Helda perdeu a vida, para efeitos de conservação e autópsia. A confirmação do corpo foi virtualmente feita pelosfamiliares da malograda, baseados em Maputo.
O triste episódio de Helda Muianga, sem família em Portugal, revela a importância de contratação de seguro de viagem, sobretudo em caso de viagem ao estrangeiro, ainda que este não seja, como sucede certas vezes, obrigatório, bem como a relevância de os segurados partilharem toda a informação relevante com alguém da sua confiança, para os devidos efeitos, caso algo indesejado aconteça.





