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4 de March, 2026

Governo diz que encerramento da Mozal não depende de Moçambique, mas dos accionistas

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A Mozal vai mesmo encerrar dentro de dias e mais de 1000 trabalhadores vão ao desemprego. O Governo diz estar a par de que a fundição de alumínio tem dias contados, mas sublinha que não é Moçambique que decidiu pelo encerramento da indústria.

“Todos estamos a ouvir que a Mozal vai encerrar e penso que até meados de Março. Estamos a acompanhar que vai encerrar. Entretanto, é preciso que fique claro que o problema do negócio da Mozal não é necessariamente com Moçambique”, disse o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, respondendo perguntas de jornalistas, após a VI Sessão Ordinária do Conselho de Ministros ocorrido nesta terça-feira (03) em Maputo.

“Moçambique é o local onde se localiza a Mozal. E por conta disso, tira benefícios através de empregos aos moçambicanos, alguns impostos que correm na base disso. Mas o negócio não é moçambicano, as decisões da Mozal não cabem aos moçambicanos, nem ao Governo. As decisões cabem à sociedade, a dona da Mozal. De tal sorte que a resolução do problema da Mozal não é necessariamente fornecida por Moçambique”, reiterou Impissa.

Todavia, o porta-voz do Governo disse que era desejável que o país pudesse garantir a energia ao preço confortável para a Mozal, mas lamentou o facto de isso não ter acontecido, tendo, por consequência, os accionistas pelo encerramento da indústria.

A Mozal anunciou oficialmente, a 16 de Dezembro de 2025, a suspensão das suas operações de fundição de alumínio no Parque Industrial de Beluluane, na província de Maputo, com efeitos a partir de 15 de março de 2026.

A decisão deve-se à falta de acordo para o fornecimento de energia a preços competitivos e suficientes após o fim do actual contrato.

Com a suspensão das operações, 1.059 postos de trabalho serão extintos, levando igual número de trabalhadores ao desemprego. Contudo, apenas 30 trabalhadores irão permanecer para os trabalhos de manutenção, segurança e assegurar o cumprimento das obrigações ambientais.

Todavia, a Mozal garante a devida indemnização aos trabalhadores que serão afectados. Os custos únicos para colocar a Mozal em regime de manutenção e conservação, incluindo custos de rescisão de contratos de trabalho e de desligamento de funcionários, deverão ser de aproximadamente 60 milhões de USD.

A Mozal prevê ainda gastar aproximadamente 5 milhões de USD, por ano, com a manutenção e conservação da indústria. A indústria está localizada perto de Maputo. A fundição produz alumínio primário para os mercados interno e de exportação. A South32 detém 63,7% da Mozal, a Industrial Development Corporation of South Africa Limited detém 32,4% e o Governo da República de Moçambique detém 3,9%.

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