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20 de January, 2026

Sindicato preocupado com a suspensão das operações da Mozal

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O anúncio da suspensão das actividades da Mozal, em Moçambique, a partir de Março de 2026, devido à falta de energia a preços competitivos, causa grande preocupação para o Sindicato Nacional de Trabalhadores da Indústria Metalúrgica Metalomecânica e Energia (SINTIME) devido aos seus impactos severos para a sociedade e a economia.

A preocupação foi apresentada pelo Secretário-Geral do SINTIME, Américo Macamo, em conferência de imprensa ocorrida na última sexta-feira (16), na Cidade de Maputo. Segundo Macamo, o anúncio da Mozal ameaça milhares de empregos directos e indirectos, bem como centenas de empresas dependentes.

Macamo precisou que serão afectados pouco mais de 5.000 trabalhadores, dos cerca de 1.100 directos e 4.000 indirectos. “Impacta igualmente no Produto Interno Bruto (PIB), gera perda de receita fiscal, abala a confiança dos investidores e agrava a situação económica numa altura em que Moçambique luta pela redução da dependência externa”, acrescentou o Secretário-geral do SINTIME, com 22.600 trabalhadores filiados de todo o país.

Nesse contexto, Américo Macamo apelou ao Governo e à empresa para que, em sede das negociações, encontrem uma solução consensual e célere, tendo em conta que o desemprego de mais de 5.000 trabalhadores causaria instabilidade social no país. Em termos económicos, a fonte disse que, com a suspensão das operações da Mozal, haverá redução significativa da contribuição da empresa no PIB, afectando directamente o crescimento económico e, consequentemente, aumentando o défice orçamental.

Durante a conferência de imprensa, o Secretário-geral do SINTIME reiterou que o Governo e a Mozal devem encontrar uma solução urgente antes do desligamento das operações e dos meios de produção, a 15 de Março próximo. “O desligamento dos meios de produção implicaria, para a reposição das capacidades funcionais e operacionais destes, a demanda de um significativo espaço de tempo para retoma, do ponto de vista técnico e avultadas somas de divisas no aspecto económico. Reiteramos o nosso maior apelo para que as partes encontrem uma solução consensual e célere”, apelou Macamo.

O Sindicato considera a Mozal um “activo estratégico” e sugere o prolongamento do contrato actual por 12 meses, criando assim espaço para negociações aprofundadas e acordos sustentáveis, pois o sector privado manifesta disponibilidade para apoiar tecnicamente o Governo, com vista a assegurar que o futuro da Mozal não prejudique nenhum dos envolvidos.

Lembre-se que, antes de anunciar, a 16 de Dezembro passado, que a fundição de alumínio seria “colocada em regime de manutenção e conservação até Março de 2026”, a australiana South32, maior accionista da Mozal, rescindiu a 26 de Agosto de 2025 contratos com 20 empresas nacionais e estrangeiras.

A South32 vai gastar aproximadamente 60 milhões de USD em custos para colocar a Mozal em regime de manutenção e conservação, incluindo custos de rescisão de contratos de trabalho e de desligamento de funcionários.

A Mozal Aluminium está localizada no Parque Industrial de Beluluane (PIB) na província de Maputo. Além da South32 que detém 63,7% na empresa, a estrutura accionista inclui a Industrial Development Corporation of South Africa Limited que detém 32,4% e o Governo da República de Moçambique com 3,9%. (Evaristo Chilingue)

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