O Anantara Bazaruto Island Resort, uma das principais unidades turísticas da província de Inhambane, atravessa um dos períodos mais críticos da sua história, na sequência da expulsão e agressão do gestor da estância por trabalhadores, em protesto contra alegados atrasos no pagamento de salários e benefícios laborais.
Uma fonte ouvida pela “Carta” contou que o conflito resulta de uma prolongada tensão laboral, associada ao alegado incumprimento de obrigações legais e contratuais por parte dos proprietários do Anantara Beach Resort.
Segundo a mesma fonte, esta situação terá criado um ambiente de descontentamento generalizado entre os trabalhadores, culminando em actos de violência dirigidos contra o gestor da unidade, descrito como alheio às decisões de natureza financeira e administrativa que estiveram na origem do conflito.
A mesma fonte conta que o incidente ocorreu na manhã de terça-feira (13), quando cerca de 50 trabalhadores se dirigiram ao escritório do gestor, exigindo que este abandonasse de imediato a unidade turística. Testemunhas relatam que o gestor foi agarrado pelos braços e pulsos, retirado à força do escritório e escoltado até à sua residência.
Já na residência, os trabalhadores terão exigido que o gestor arrumasse os seus pertences e deixasse o local. O ambiente tornou-se tenso quando o grupo tentou forçar a entrada pela porta principal, gerando momentos de grande agitação. Ainda de acordo com um vídeo na nossa posse, os trabalhadores acabaram por entrar à força na casa, colocando em risco a segurança da esposa do gestor, que terá sido empurrada, enquanto alguns membros do grupo retiravam e organizavam pertences pessoais do casal, incluindo vestuário.
O gestor e a sua esposa conseguiram reunir bens essenciais e abandonar a Ilha de Bazaruto numa embarcação. O casal seguiu para Vilanculos sob escolta da Polícia e com o apoio de segurança privada, tendo sido posteriormente orientado a deslocar-se até ao aeroporto, instruções que não foram cumpridas e o gestor optou em ficar num hotel em Vilanculos.
O episódio decorreu na presença de agentes da Polícia e elementos da segurança privada, facto que levanta questionamentos sobre a gestão do conflito e a eficácia dos mecanismos de resposta às tensões laborais naquela unidade turística.
Entretanto, por intermédio do seu advogado, o gestor do Anantara Bazaruto Island Resort apresentou uma participação criminal junto da Procuradoria Provincial de Inhambane contra sete trabalhadores do Indigo Bay, Lda, trabalhadores do Resort, Agentes da Polícia da República de Moçambique e Membros de Segurança Privada da Empresa PWT afectos na data dos factos.
No documento, os envolvidos no incidente são acusados da prática dos crimes de ameaça, coação física e violação de domicílio. O processo encontra-se em fase de apreciação pelas autoridades competentes, aguardando-se os desenvolvimentos subsequentes com vista ao apuramento de responsabilidades e à reposição da legalidade.





