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17 de December, 2025

Estatal BNI diz que novo banco de desenvolvimento poder criar “bicefalia”

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O Presidente do Conselho Executivo (PCE) do Banco Nacional de Investimento (BNI), Abdul Jivane, defendeu hoje (17) que a instituição foi criada como um banco de desenvolvimento, mas precisa de mais “aporte” de injecção financeira do Estado, único accionista, para desempenhar esse papel, porque tem capitais próprios “limitados”.

“A génese do BNI, quando foi criado [em 2010], era ser banco de desenvolvimento e tem potencial para esse papel, mas precisaria de mais aporte financeiro do seu accionista, porque os recursos próprios de que dispõem neste momento são limitados”, afirmou Jivane.

O PCE do BNI falava aos jornalistas, no final de um encontro com homens de negócios, para a apresentação dos resultados deste ano da instituição.

Reiterando uma posição que enfatizou no encontro com empresários e parceiros da sua instituição, aquele gestor avançou que o banco detém, actualmente, 2,2 mil milhões de meticais de capitais próprios, fundos que considerou insuficientes para o financiamento de áreas estruturantes dos domínios sociais e económicos, como é típico de um banco de desenvolvimento.

Com aqueles recursos, o BNI não está potenciado para financiar sectores como infra-estruturas públicas, energia, agricultura e turismo, prosseguiu Abdul Jivane.

“Temos ouvido que o BNI não faz o suficiente, e com razão, mas essa incapacidade deve-se ao capital próprio limitado para grandes intervenções”, sublinhou Jivane.

Apontou que o banco nunca foi dotado do capital próprio inicial de 500 milhões dólares, acordado entre os governos de Moçambique e de Portugal, que criaram o banco.

Apenas foram injectados, no total, 70 milhões, repartidos em 35 milhões de dólares, cada, entre os dois accionistas que fundaram a instituição.

Contudo, o Estado moçambicano só realizou a sua participação na estrutura accionista, em 2020, através de “uma emissão de bilhetes” e quando Portugal já se tinha retirado da sociedade e transferido os seus títulos, devido uma “crise fiscal” que assolou a Europa.

“Desinformação total”

O PCE do BNI considerou uma “desinformação total” avaliações desfavoráveis ao desempenho da instituição, salientando que o mesmo apresenta resultados sólidos e animadores.

“É com tristeza que ouvimos esses boatos, trata-se de total desinformação, com agendas que desconhecemos”, frisou Abdul Jivane.

A equipa responsável pelo processo de auscultação sobre a possibilidade de criação de um banco de desenvolvimento, que é parte dos eixos da política económica do Presidente Daniel Chapo, afirmou recentemente que o BNI não pode ser convertido em banco de desenvolvimento, porque pode arrastar para esta função “os danos reputacionais” de que enferma.

Sem se referir directamente a esta asserção, o PCE notou que o BNI conta com activos próprios no valor de 14,7 mil milhões de meticais, tem distribuído dividendos ao accionista Estado (470 milhões de meticais até Novembro deste ano) e tem um rácio de dívida mal-parada (‘non perfoming loan’ ou NPL) de 7,5% face a uma média de 13% nos bancos comerciais moçambicanos.

Goza de um rácio de liquidez de cerca de 109% contra cerca de 62% dos outros bancos e 25% exigidos pelo Banco de Moçambique, de um rácio de solvabilidade de 40%, muito acima dos 12% impostos pelo Banco de Moçambique.

O PCE do BNI ressalvou que uma eventual criação de um novo de desenvolvimento pode gerar uma situação de “bicefalia”, uma vez que a sua instituição foi criada com essa vocação.

Caso a ideia de Daniel Chapo avance, o BNI está capacitado para se tornar braço comercial de um hipotético banco de desenvolvimento, acrescentou.

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