O Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, disse haver progressos na inclusão financeira, resultantes da modernização do Sistema Nacional de Pagamentos, com destaque para a interoperabilidade entre as plataformas de pagamentos digitais e os bancos comerciais, bem como o reforço da educação financeira e protecção do consumidor.
Segundo Zandamela, a evolução permitiu que o número de contas de moeda electrónica praticamente duplicasse, passando de 11,9 milhões em Dezembro de 2022 para 23 milhões em Junho de 2025, demonstrando a rápida expansão dos serviços financeiros digitais e a sua crescente integração no quotidiano das famílias moçambicanas.
Falando em Pemba, capital da província de Cabo Delgado, por ocasião da realização do 50.º Conselho Consultivo do Banco Central, Zandamela apresentou outros desenvolvimentos no que toca à política monetária, assinalando a continuação do ciclo de normalização da taxa de juro de política monetária. Com efeito, vincou, desde Janeiro de 2024, a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, foi reduzida, em termos acumulados, em 750 pontos base, para 9,75% em Setembro de 2025, nível mais baixo desde a sua introdução em 2017.
“Em linha com esta evolução, a Prime Rate, a taxa de juro de referência dos bancos comerciais na sua relação com os seus clientes, caiu em 470 pontos base, para 16,50% em Setembro do presente ano, reflectindo a resposta positiva do sistema financeiro às decisões de política monetária e à consequente melhoria gradual das condições de financiamento da economia”, afirmou Zandamela.
Como resultado, o gestor apontou que o crédito à economia registou uma recuperação anual de cerca de 1%, em Setembro de 2025, após um crescimento nulo de 0% observado no mesmo período do ano anterior.
Segundo Zandamela, o quadro macro-económico é marcado por uma estabilidade contínua de preços, num contexto de recuperação gradual da actividade económica, pese embora um agravamento de 3,1% no défice da conta corrente, nas transacções com o exterior, no primeiro semestre do presente ano, face a igual período de 2024.
“Ainda assim, considerando dados até finais de Outubro, as nossas reservas internacionais brutas mantêm-se em níveis confortáveis, um sinal importante de resiliência face aos choques externos, e um verdadeiro escudo de protecção à soberania nacional”, afirmou o gestor.
O Governador referiu-se também à robustez e estabilidade do sistema financeiro nacional, que passou também pelo reforço da educação financeira e protecção do consumidor, e o reforço das matérias de prevenção e combate ao branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo, alinhadas com as recomendações do GAFI.
Para Zandamela, o esforço consolidou a integridade e credibilidade do sistema financeiro nacional e contribuiu para a retirada de Moçambique da lista cinzenta, a 24 de Outubro último, uma grande notícia para o País, que está a ser celebrada a nível internacional. Disse ainda que o Banco de Moçambique está em preparação operacional para a gestão do Fundo Soberano de Moçambique, aguardando apenas pela assinatura do Acordo de Gestão com o Ministério das Finanças.
O Banco de Moçambique perspectiva para 2026, a curto e médio prazos, uma recuperação gradual da actividade económica. Sobre as projecções da inflação, disse prever-se a manutenção de níveis de um dígito no curto e médio prazo. “Persistem, contudo, desafios relevantes. A nível interno, destaca-se o contínuo agravamento do risco fiscal, o ambiente de negócios desafiante, os choques climáticos e a necessidade de reformas estruturais profundas. No ambiente externo, sublinha-se a desaceleração da actividade económica global, a persistência da inflação e elevados níveis de incerteza” – declarou Zandamela.





