Produtores de castanha de caju das províncias manifestam a sua preocupação com o preço de referência de 45 Meticais o quilo (0,75 cêntimos de dólar), anunciado pelo Governo moçambicano para a campanha de comercialização 2025/26. A preocupação foi expressa na última sexta-feira (10), em Maputo, à margem da I Sessão do Comité de Amêndoas, pois consideram o preço muito elevado.
Sobre o assunto, Miguel Matsimbe, da província de Inhambane, referiu que os produtores enfrentam dificuldades em obter rendimento ideal e na conservação da castanha. “Acho que a produção vai abaixar nos próximos anos porque não há nenhum rendimento. Precisamos muito da assistência de técnicos, porque há certos produtores que não têm sistemas adequados de secagem ou embalagem e a castanha pode estragar-se rapidamente”, afirmou.
Matsimbe sublinhou que a conservação adequada do produto poderia permitir posterior venda e aumentar o retorno financeiro. “Podemos não vender neste ano, mas podemos sim conseguir vender até o próximo ano, porque talvez possa manter o valor. O consenso do preço de referência é 45 meticais o kilo, sabemos que temos 15%. Vamos ter que avançar com o recorde da licença, mas não vamos parar”, disse.
Já o produtor de Nampula, João Picar, apontou os desafios na comercialização e a importância do diálogo entre produtores e exportadores, bem como a participação do Governo na análise dos produtos.
“Achamos que é importante haver uma negociação entre as duas partes, o produtor e os intervenientes do sector. O Governo incluiu os produtores para a análise dos seus produtos, e isso é muito importante”, afirmou.
Picar explicou que o distrito de Mogovolas é a maior área produtora da província, destacando o aumento esperado da produção em relação ao ano anterior. “No ano passado, o distrito de Mogovolas exportou 17.800 toneladas, mas estamos a pensar que teremos 20.000 nesta campanha. A nossa expectativa é que o exportador também considere o nosso esforço e investimento, de modo a aumentarmos juntos a produção nacional”, concluiu.
Os produtores salientaram ainda a necessidade de apoio técnico contínuo, melhores práticas de armazenamento e embalagem, e acompanhamento do mercado, de modo a assegurar rendimentos sustentáveis e reduzir perdas durante a conservação da castanha. (AIM)




