Director: Marcelo Mosse

Maputo -

Actualizado de Segunda a Sexta

1 de August, 2025

Continua a cair taxa de juro de referência enquanto se agrava o endividamento público

Escrito por

O Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique decidiu, esta quinta-feira (31 de Julho), reduzir a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, de 11,00 % para 10,25 %. Esta medida decorre, essencialmente, da contínua consolidação das perspectivas da inflação em um dígito, no médio prazo, reflectindo, em parte, a tendência favorável dos preços internacionais de mercadorias.

Apesar disso, o CPMO alerta para a manutenção, a nível doméstico, de elevados riscos e incertezas associados às projecções sobre os preços. Na mesma reunião, o Banco Central alertou que a dívida pública continua a agravar-se, tendo nos últimos sete meses aumentado cerca de 40 mil milhões de Meticais.

“As perspectivas da inflação mantêm-se em um dígito no médio prazo. Em Junho de 2025, a inflação anual fixou-se em 4,2 %, após 4,0 % em Maio. A inflação subjacente, que exclui frutas e vegetais e bens com preços administrados, aumentou ligeiramente. A manutenção das perspectivas da inflação em um dígito, no médio prazo, reflecte, essencialmente, a estabilidade do Metical e a tendência de manutenção dos preços internacionais de mercadorias”, descreve o comunicado do Banco Central.

No que toca à economia, a instituição prevê, no médio prazo, uma recuperação gradual da actividade económica, excluindo a produção do Gás Natural Liquefeito (GNL), favorecida em parte pela redução das taxas de juro e pelas perspectivas de implementação de projectos em áreas estratégicas. No primeiro trimestre de 2025, estima-se que, excluindo o GNL, o produto interno bruto (PIB) tenha contraído 4,9 %, após 4,1 % no trimestre anterior. Quando incluído o GNL, o PIB contraiu 3,9 %, após 5,7 % no trimestre anterior.

O CPMO constatou igualmente: “a pressão sobre o endividamento público interno continua a agravar-se. A dívida interna, excluindo os contratos de mútuo e de locação e as responsabilidades em mora, situa-se em 454,3 mil milhões de meticais, o que representa um aumento de 38,7 mil milhões em relação a Dezembro de 2024”.

Com vista a impulsionar as vendas ao público, o Banco de Moçambique reduziu recentemente os limites de retenção diária de divisas adquiridas pelos bancos. Esta medida complementa a decisão do aumento da taxa mínima de conversão de receitas de exportação, de 30% para 50%, o que implica maior disponibilidade e acesso às divisas. Com base nessas decisões, a instituição espera, doravante, o aumento de divisas no mercado bancário.

O CPMO alerta também que os riscos e incertezas associados às projecções da inflação, mantêm-se elevados nos próximos dois anos. “Destacam-se como prováveis factores do aumento da inflação, no médio prazo, os impactos do agravamento da situação fiscal, num contexto de crescentes desafios para a mobilização de recursos financeiros para o Orçamento do Estado, as incertezas quanto à velocidade da reposição da capacidade produtiva e da oferta de bens e serviços e os efeitos dos choques climáticos”, descreve o comunicado do Banco Central. A próxima reunião ordinária do CPMO está marcada para o dia 29 de Setembro de 2025. (Carta)

Visited 19 times, 1 visit(s) today

Sir Motors

Ler 96 vezes