O ciclone Chido que assolou o norte do país, em meados de Dezembro passado, devastou o sector avícola na província de Cabo Delgado, causando prejuízos de mais de 95 milhões de Meticais e afectando cerca de 280 empregos. Os dados foram apresentados semana finda pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), durante o “Economic Briefing” que analisou a actividade económica do sector privado, durante o quarto trimestre de 2024.
No cômputo geral, o Índice de Robustez Empresarial (IRE) apresentado na ocasião descreve que a facturação no sector da agricultura reduziu em 30%, resultante da fraca mobilidade de pessoas e bens devido à onda das manifestações, facto que originou um défice de oferta de produtos da primeira necessidade, como farinha de milho, arroz, óleo, açúcar entre outros.
Para além da agricultura, o documento aponta que o turismo foi outro sector severamente afectado pela tensão pós-eleitoral. O IRE explica que o desempenho do sector foi afectado, traduzindo-se numa redução em mais de 40% do fluxo de turistas devido às manifestações e à destruição de infra-estruturas hoteleiras na sequência da passagem do ciclone Chido.
De acordo com a nossa fonte, o sector dos transportes também foi largamente afectado. Como consequência, o documento revela que o preço do transporte de passageiros e de carga subiu numa média de 40% devido às manifestações, portagens ilícitas e à ruptura de combustível naquela província durante a época da instabilidade pós-eleitoral.
Para além de Cabo Delgado, ainda no norte do país, o IRE revela que a província de Nampula também foi severamente afectada pelo ciclone Chido bem como pelas manifestações. A fonte precisa que, naquela província, o Chido traduziu-se em prejuízos de 40 milhões de Meticais para o sector dos transportes devido ao condicionamento da mobilidade de bens e serviços, bem como à instalação de portagens ilegais, nas principais vias ao longo da província.
Com base em dados da CTA, as manifestações e o ciclone Chido afectaram na província de Nampula mais de 350 unidades produtivas, o que prejudicou mais de 2700 postos de trabalho.
De acordo com o IRE, na província de Inhambane, o impacto da tensão pós-eleitoral traduziu-se na área do turismo na queda drástica das taxas de ocupação para o que é habitual numa época alta, que é o quarto trimestre. A fonte refere que, durante o quarto trimestre, assistiu-se a um nível crescente de cancelamentos das reservas nas estâncias turísticas, tendo em Outubro atingido 25%, Novembro 50% e acima de 90% em Dezembro.
Maputo é outra província onde o Índice destaca danos, mas neste caso somente de manifestações violentas. Aqui a CTA contabilizou mais de mil unidades produtivas afectadas, o que prejudicou 6 700 postos de trabalho em diversas áreas.
No sector da indústria, por exemplo, a fonte descreve que se registou um aumento do custo das matérias-primas, como foi o caso do milho que aumentou em cerca de 50%. Paralelamente, registou-se constrangimento na importação de outras matérias-primas face às dificuldades com o acesso de moeda externa. (Carta)