A crítica expressa por Luís Nhachote, na Carta de Moçambique “Depois do ano da Raposa, a vez de Chapo?” parte de uma impaciência compreensível, mas analiticamente frágil: confunde tempo político com tempo institucional, retórica com governação, e expectativa social com capacidade real de transformação estrutural. Defender a governação de Daniel Chapo não exige negar os problemas do país. Exige, isso sim, rigor intelectual, honestidade analítica e respeito pela ciência da governação. A ciência política é clara: reformas sérias não são instantâneas!
A literatura em policy implementation, state capacity e institutional economics é inequívoca: nenhuma reforma estrutural relevante produz resultados mensuráveis em meses.
Economistas como Douglass North e estudos do Banco Mundial demonstram que as reformas económicas profundas levam dois a cinco anos para produzir efeitos sociais;
As reformas administrativas e de combate à corrupção podem levar uma década para maturar; E, governos recém-empossados herdam restrições orçamentais, legais e institucionais que não desaparecem por vontade política.
Exigir “resultados imediatos” não é sinal de vigilância democrática, mas é desconhecimento do funcionamento do Estado. Penso que Liderança responsável começa por não governar por impulsos. O texto criticado sugere que o Presidente deveria abandonar “metáforas” e avançar com “nomes e acções”. Mas a boa governação moderna ensina exactamente o contrário: governar bem não é personalizar decisões, não é anunciar medidas sem sustentabilidade, não é agir para agradar a ciclos mediáticos.
Governos que agem assim normalmente produzem políticas erráticas, geram instabilidade regulatória, afastam investimento, e aprofundam a crise que dizem combater.
A prudência institucional do presidente Daniel Chapo não é hesitação, é método!
O outro ponto é que o contexto herdado não pode ser ignorado, qualquer análise séria precisa reconhecer que o actual governo iniciou funções num contexto marcado pormanifestações, pressão fiscal elevada, endividamento estrutural, crise global de preços (energia, alimentos), desafios de segurança.
E tudo isso gerou fragilidade social acumulada.
Ignorar esses pontos é intelectualmente desonesto. Nenhum presidente governa no vácuo. A pergunta correctanão é:
“Por que ainda não mudou tudo?”
Mas sim: “O governo está a criar condições para que a mudança seja sustentável?”
É importante compreender que a comunicação simbólica não é vazio político: A crítica às metáforas revela outra confusão comum: a desvalorização da liderança simbólica. A ciência política mostra que: símbolos constroem confiança institucional; narrativas criam coesão social; estabilidade política depende tanto de políticas quanto de legitimidade percebida.
Num país com fraturas sociais profundas, comunicar unidade, responsabilidade e visão não é fuga à acção , é pré-condição da acção eficaz. Governação séria é processo, não espectáculo!
Governar bem raramente é televisivo, é técnico, é lento e é silencioso. Os países que hoje são citados como exemplos não avançaram com discursos incendiários, avançaram com reformas graduais, consistentes e institucionalizadas.
O presidente Daniel Chapo parece compreender isso e isso é virtude, não defeito.
Quero concluir dizendo que a crítica é legítima, mas rigor é obrigatório! A carta em causa expressa ansiedade social legítima.
Mas transforma essa ansiedade em crítica sem base empírica sólida. Defender neste quesito o presidente Daniel Chapo não é defender imobilismo, mas sim defender uma governação responsável; respeitar o tempo das políticas públicas; e observar uma liderança que pensa no país para além do ciclo mediático.
Num tempo em que muitos líderes governam para aplausos rápidos, a contenção, o método e a prudência são sinais de maturidade política.
E isso, hoje, é raro e valioso.
Tenho dito…
Por: Dário Camal





