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8 de October, 2025

Como participar numa festa e tirar partido

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Nos últimos 15 anos tenho andado de conferência em conferência, sempre globais. Desde Grow Africa do Fórum Económico Mundial (WEF), passando por Nutrição e finalmente nas Semanas de Energia de África (AEW).

Pela grandiosidade do nosso país, muitos dos organizadores insistem em convidar Moçambique, que por sua vez a nível governamental parece menosprezar essas plataformas, pois os representantes que por muito competentes que possam ser, ficam aquém dos interlocutores dos outros países nas suas apresentações.

Na semana finda, vi o senhor N J Ayuk, Presidente da Câmara de Energia de África, justificar a ausência do peso de Moçambique, justificada, na 5ª Edição da AEW. Mesmo assim incentivando os “players” do Oil & Gas a investirem em Moçambique. Por que não maximizar essa plataforma? Uma que dentre vários indivíduos de topo da Indústria tinha o Secretário-Geral da OPEC.

Nas conferências que acima mencionei, temos tido interlocutores diversos, falando por Moçambique nos painéis, Invista em Moçambique, com eloquência e paixão maior que os representantes dos governantes de topo.

Um mensageiro instruído num tema deve ter domínio da língua que vai usar para obter resultados altos da mensagem e não embalar a plateia para bocejos entediantes.

Criemos empatia com quem queremos ter relação, dando-lhes oportunidade de verbalmente se atraírem com o que oferecemos ao invés aparentarmos vulneráveis, que nos pagam porque nos viram, mesmo quando não nos ouviram.

Nada impede de comunicar a organização com antecedência que o nosso discurso será na nossa língua, assim o fez o ministro do Senegal da Energia, comunicou-se em Francês.

Gastamos tempo para escrever nas mensagens onde se localiza Moçambique, que densidade a população tem, que vizinhos temos na SADC, etc., isso está no Google. É tempo de começarmos a explicar porque o país é interessante para se investir, fazendo isso com fluidez na língua que apresentamos o que pretendemos conquistar.

As pessoas que viajam devem dominar a língua da conferência, sob o risco de voltarem com mensagens deturpadas. Não é para levar tradutor, porque isso é um custo, e cabe ao organizador da conferência oferecer para o conforto da sua audiência.

O falecido Presidente John Pombe Magufuli havia instruído que as Embaixadas da Tanzânia deveriam participar de eventos nas áreas que representavam e os poucos que saíssem do país fariam com seu conhecimento. Representar um país é orgulhar ou embaraçar todos seus compatriotas. Portanto seria bom pararmos de fazer figuras pouco conseguidas, pelos moçambicanos, no estrangeiro. Se não temos alguém a altura para nos representar condignamente, podemos nos escusar de participar.

O retrato do representante do nosso país é o nosso retrato nas conferências. Será que existe algum Ministério que não tenha quadro sénior fluente em inglês?

Este texto não é para se zangarem, é para os quadros que apenas falam Português e língua materna viajarem apenas nos PALOP, mesmo que a viagem não seja custeada pelos nossos impostos. Custa-nos a imagem também e muito, porque em Moçambique o inglês já está ao nível dos jovens que vendem conchas no Tofo, Ponta Douro ou que apanham Kapenta na Albufeira de Cahora Bassa e esses vende com mestria.

 

Cape Town, 02 de Outubro de 2025

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