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6 de March, 2026

As TIC’s que para nós não funcionam!

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Dados estatísticos mais recentes da DataReportal, uma reputada instituição internacional que publica estatísticas globais sobre internet, indicam que perto de vinte por cento da população moçambicana, por aí perto de oito milhões de habitantes, têm acesso à internet; enquanto acima de 53 por cento, cerca de 19 milhões, têm acesso a conexões móveis. Um crescimento de cerca de três por cento em relação ao ano anterior.

Mas é, sem dúvida, um desenvolvimento bastante assinalável quando comparado com o quadro, por exemplo, do início do século, anos 2001, 2002… por aí. O Relatório Final do Inquérito à Capacidade Informática Nacional – 2001, realizado na altura sob auspícios governamentais, indicava que, àquela data, 2001, em todo o Moçambique, só 4089 pessoas é que tinham acesso a e-mail a nível de instituições e empresas; e somente 1885 é que tinham internet nos seus locais de serviço.

É certo que as quantidades de população são bastante diferentes nos dois momentos. Em 2001, segundo o INE, a população moçambicana era de 18,5 milhões, enquanto hoje diz-se que é de 35 milhões. Por isso, comparações em termos percentuais não ajudam muito a entender a evolução.

De toda a forma, podemos ter uma ideia de como o uso das tecnologias de informação e de comunicação evoluíram significativamente no nosso solo pátrio. Melhor, como se expandiram ao longo desses cerca de 25 anos.

Pelo mundo, agora a conversa é sobre inteligência artificial (IA), onde, em várias situações e partes do mundo, como China, EUA, Japão, Europa, etc., a mão de obra humana vai sendo substituída por artefactos da IA. E nós continuamos na expansão de sinal básico da internet… melhor: utilização, para baixar vídeos de WhatsApp. Você manda um e-mail para alguém (até para seu superior) e mesmo uma mensagem no WhatsApp, depois tem que lhe telefonar e lhe avisar que mandou uma mensagem por essas vias… e ainda assim não responde e, depois, vai dizer: não consegui abrir, não tenho sistema… andei no interior, em zonas sem sinal, etc. e tal. Idem pelas instituições – públicas e privadas: são filas e filas, ora porque não há sistema, se há é porque está lento… ora porque é preciso actualizar os dados, ora isto, mais aquilo.

Parece muito evidente que, no nosso caso, a bicha não anda. Nem de trás! – como preconizou certa vez um nosso músico emblemático.

Em Novembro passado, fui ao meu banco pedir uma transferência mensal – e no fim de cada mês – para uma instituição de seguros, a cobrir um plano de saúde, durante o período de um ano. No próprio mês de Novembro, a coisa funcionou, a transferência foi realizada. Em Dezembro, muitíssimo cedo, o gato se revelou… que afinal não era lebre! A transferência não foi executada. Vendo os dias a passarem, dirigi-me ao balcão para pedir explicação. E lá veio ela. A transferência não se efetivou porque dia 31 calhou tolerância de ponto e depois seguiram-se o feriado e outras tolerâncias de ponto e assim o sistema não executou. E a saída para ultrapassarmos o problema era fazer a transferência fora daquele quadro do sistema. Engoli em seco e procedi conformemente dada a minha urgência em resolver o assunto e não comprometer ou complicar o projecto, ainda que não tivesse compreendido o que se tinha passado de facto.

Como reza o dito popular, o tempo é juiz de tudo. Veio o final de Janeiro e com ele o dia 31. E o gato não deixou de ser gato, não era lebre, como tinham garantido. A transferência voltou a não se efectivar. De novo, deixei os meus afazeres, sacrifiquei o meu tempo e programas e voltei ao meu BIM: a explicação voltou a ser a mesma… que, como 31 calhou sábado, o sistema não transferiu…

Com nervos à flor da pele, por estar a ser tratado como analfabeto, lá interpelei a senhora, dizendo-lhe que o que estava a dizer-me não fazia sentido nenhum. Se o sistema está programado para num certo dia efectuar uma transferência, nada o para. Faça chuva ou faça sol, como o chefe costuma repetir; seja sábado, domingo ou feriado ele efectua o programado. E dei exemplo dos próprios cartões de crédito que o próprio banco deu a certos clientes, incluindo eu. No dia 20 de cada mês, faça chuva ou sol, sábado, domingo ou feriado, a cobrança é feita. No fim… “Hãan, o senhor tem razão…” Pediu para se retirar da sala onde estávamos, mas, instantes depois voltou e disse: “Os meus colegas que trabalham no sistema dizem que vão ver o que se passa com o sistema!”

Maldito sistema!

Ehhh paaa!, o que para os outros é quase que religião (as tecnologias de informação e comunicação)… para nós não funciona, não anda! Temos ainda um grande caminho a andar.

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