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12 de February, 2026

A pedra de Namaacha (e não só)

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Graças ao Naife e à Abelarda, um casal amigo de longa data, há dias, tive a oportunidade de, com a minha parceira, voltar a visitar a mítica vila da Namaacha, na província de Maputo. Ir à Namaacha é especial, diferente, algo extraordinário; qualquer coisa que cria em nós considerável excitação, ansiedade, uma vontade e um querer algo acentuado dentro de nós. No cimo da chamada Cordilheira dos Libombos, Namaacha é um local que carrega uma história de mitologia e espiritualidade, mas também um clima específico, de muito ar puro, uma frescura sem igual. As paisagens possíveis de ver ao longo da estrada são algo extraordinário, maravilhosas, lembram ou incitam a uma viagem pelo universo, espacial, parece estarmos a voar com ou nas nossas próprias viaturas. Aquelas montanhas e reentrâncias lembram-nos o paraíso, uma viagem para… o cėu, para o idílico – não imagino a espectacularidade que não devem ser aquelas montanhas e reentrâncias matas adentro que não conseguimos ver; devem ser uma beleza incrível. Namaacha é algo irônico! Se houvesse como sobrevoar a zona de helicóptero…

Durante o período colonial, foi tido como refúgio climático, ponto estratégico e de lazer para muitos lourenço-marquinos, na altura… brancos, colonos. Mas, mesmo depois da proclamação da nossa independência, passar um fim-de-semana, ou simplesmente ir almoçar em Namaacha continuou algo bastante prazeroso e apetecível para os já maputecos; as procissões continuaram e continuam… até para se ir curtir o Festival de Frangos. Namaacha era uma boa curtição! Talvez cada vez menos ultimamente, agora, que bateu, bateu!

Mas, a vila de Namaacha é mais transcendental pelo seu lado espiritual: em 1944, foi consagrado Santuário de Nossa Senhora de Fátima, tido como o primeiro em toda África; portanto, algo que teve repercussões internacionais, senão mundiais… Até aos nossos dias, continua o destino da maior peregrinação católica de Moçambique nos meses de Maio e Outubro. Milhares e milhares de fiės lá se fazem àquele extraordinário ponto ano após ano.

Outrossim, a vila de Namaacha tem uma costela econômica importantíssima para Moçambique: além de fronteira estratégica com dois países, com todas as significâncias que isso compreende e engloba – Eswatini e África do Sul -, ela é o berço e guardião da mundialmente famosa Água da Namaacha, quem nunca a bebeu? Um sabor muito especial, próprio, largamente apreciado, qual “água benta”!. E o distrito é, igualmente, com as suas terras muito férteis, um grande produtor de citrinos e de diferentes tipos de gado. Aquilo tem fertilidade para produzir muita comida para Moçambique!

Contudo, indignadamente, o que muito pouco se explora (ou se ignora completamente) é o que as grandes montanhas da Cordilheira dos Libombos têm de não menos extraordinário e importante para o Moçambique de hoje e agora, mas também para o futuro; o que compõe todas aquelas protuberâncias, saliências, reentrâncias e concavidades. Algo extremamente valioso. Uma riqueza incrível. Que muito poucos países têm ou detém: A PEDRA DA NAMAACHA! Uma pedra de várias especialidades, categorias e qualidades; e com várias utilidades.

O que a nossa curta mente sabe – e eu acho que é muito pouco – é que pedra de Namaacha é uma rocha extremamente resistente e densa; suporta muito bem a erosão e a humidade; é ideal para pavimentos exteriores, escadas e passeios. Ou seja, nós só vemos a pedra de Namaacha em muros de moradias de luxo, fachadas de edifícios públicos. E como ultimamente tudo vem da China… o que está na moda são materiais madeira in China! E até na própria vila é difícil ultimamente ver o aproveitamento daquela misteriosa pedra, uma grande dádiva da natureza…

A minha questão é: porquê não usamos a pedra de Namaacha como pavê? Uma pedra como aquela só serve para passeios? Só? Não acredito. Já vi pelo país e pelo mundo, incluindo aqui na África do Sul, algumas estradas feitas com muito recurso à pedra. Mas não só Namaacha: temos pedra em Manica; temos pedra em Tete; temos pedra na Zambézia, Nampula, Cabo Delgado e Niassa. Ou seja: em todo o país! Nalgumas províncias como Manica, Tete, Niassa… inacabável.

Ao longo dos últimos dias, nestas cheias de Janeiro, vimos pedra grossa extraída em Namaacha a ser usada para a reposição dos troços destruídos pelas águas; da localidade de 3 de Fevereiro a Incoluane, em Xai-Xai; no troço Chissano-Chibuto. Porque é que depois daquela pedra grossa que colocamos ali, e noutros troços, não alisamos com a pedra três quartos e depois usarmos a pedra de Namaacha como pavê? Não acredito que essa seja uma engenharia inviável!

Os nossos engenheiros não podem fazer esta engenharia!? Não podem mesmo? As incríveis pedras que temos em todas estas províncias não podem ser usadas para a construção das nossas estradas? Umbeliavable!

Quando é que nos vamos livrar da fórmula USD1 000 000,00/1(um) quilômetros de estrada? Nas nossas cabeças só temos esta equação. Sinto muita pena do ministro Matlombe – e dos outros que lhe precederam – a matar a cabeça com o lugar comum de um milhão de dólares/um quilômetro… Cálculos e mais cálculos nesta bitola! Não podemos inventar a nossa fórmula de fazer estradas? Com pedra de Namaacha e toda a pedra que temos pelo país adentro… que até exportamos para Eswatini, África do Sul e sei lá mais para onde! Será que mesmo os custos serão mesmo esses de um milhão de dólares usando pedra ao longo das províncias?

Hããaannn!… estamos à espera que os chineses venham pegar a pedra de Namaacha!

Nako nada, juro.

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