Assim, se 2025 se anunciou como o Ano da Raposa, 2026 impõe-se como o ano da decisão. O Presidente Daniel Francisco Chapo não pode continuar refém de metáforas quando o país exige nomes, actos e responsabilidades. A prudência inicial, compreensível nos primeiros meses, começa a perder legitimidade à medida que o tempo passa e os problemas persistem.
Chapo completou, a 15 de Janeiro, um ano em exercício da função presidencial — tempo mais do que suficiente para conhecer os dossiês sensíveis, identificar os centros de bloqueio e distinguir entre lealdade institucional e sabotagem interna.
A fase da adaptação terminou. A partir deste marco, a expectativa pública deixa de ser tolerância e passa a ser exigência política: decisões mais enérgicas, cortes claros com redes herdadas e responsabilização efectiva de figuras que, apesar de sucessivas falhas, continuam a circular nos corredores do poder.
Num sistema presidencial forte, um ano é o prazo razoável para afirmar autoridade. Persistir na ambiguidade, no discurso alegórico e na manutenção de conselheiros e gestores associados a práticas danosas equivale, na prática, a abdicar do comando. E a história ensina que, quando o Presidente hesita, outros governam por ele — sem voto, sem escrutínio e sem mandato popular.
Se em 2026 Chapo não tomar as rédeas, nomear os “animais” e agir em conformidade, o problema deixará de ser apenas a raposa no galinheiro. Passará a ser o silêncio de quem tinha o poder — e o tempo — para agir.
Na política, como na fábula, quem hesita diante da raposa acaba invariavelmente sem galinhas — e sem desculpas.





