A Organização da Juventude Moçambicana (OJM) chega aos 48 anos com uma história que merece ser celebrada, mas também com um desafio enorme: continuar relevante em um país em rápida transformação e com uma juventude cada vez mais diversa, exigente e determinada. Fundada pelo saudoso Presidente Samora Moisés Machel, na praia de Tofo, a OJM nasceu com a missão de educar, unir e mobilizar a juventude para a reconstrução de um Moçambique livre, justo e em progresso.
Ao longo dessas quase cinco décadas, a OJM desempenhou um papel central na formação de quadros, na mobilização cívica e na consolidação de valores patrióticos. Mas o tempo não para, e a juventude também não. Hoje, os jovens moçambicanos vivem em um mundo diferente: digital, conectado, global, mas ainda marcado por desafios locais intensos — acesso ao emprego limitado, dificuldades de habitação, desigualdades regionais, precariedade econômica e a necessidade urgente de serem ouvidos em todos os espaços de decisão.
Nas últimas semanas, tive a oportunidade de viajar pelo Norte e Centro do país. Em cada cidade, vila e comunidade, conversei com jovens de diferentes origens: estudantes, camponeses, pequenos empreendedores, desempregados, membros da OJM, simpatizantes e jovens da sociedade civil. O que encontrei foi inspirador: uma juventude cheia de energia, criatividade, vontade de mudar e coragem para sonhar. Mas também encontrei frustrações: falta de oportunidades concretas, políticas que não refletem a sua realidade e canais limitados para que a sua voz seja ouvida.
A pergunta que pairava em cada conversa era simples, mas profunda: “como podemos, como sociedade e como Estado, criar condições para que a juventude realize o seu potencial?” E, nesse contexto, surge outra questão essencial: “qual é o papel da OJM no Moçambique de hoje e do futuro?”
O grande desafio da actual liderança da OJM é “transformar a organização numa plataforma capaz de compreender profundamente a agenda da juventude e de influenciar políticas e programas de governação que realmente respondam às suas necessidades”. A OJM não pode continuar a ser apenas uma caixa de ressonância das políticas do Governo ou das iniciativas do Presidente da República. Para cumprir a sua missão de forma genuína, a OJM precisa **desenvolver uma agenda própria**, que reflita os desafios e aspirações da juventude moçambicana, conectando-se com as suas experiências diárias, suas ambições e suas lutas. Somente assim poderá atuar como uma organização relevante, moderna e capaz de inspirar e mobilizar os jovens para a construção de um país mais justo e inclusivo.
A OJM não pode mais ser apenas uma organização de mobilização formal ou um espaço de discursos programáticos. Ela precisa ser uma “ponte viva e activa” entre a juventude e o país, um espaço onde se ouvem os sonhos, as preocupações e as soluções dos jovens, e onde se transformam essas ideias em ação concreta. O futuro da OJM será definido pela sua capacidade de unir história, identidade e valores, com inovação, modernidade e coragem para liderar mudanças.
Portanto, o papel da OJM deve ser claro e inspirador:
- OUVIR E VALORIZAR A JUVENTUDE REAL: da cidade à comunidade rural, do estudante ao empreendedor, do jovem organizado ao que ainda não encontrou espaço de participação. Cada voz importa.
- 2. MODERNIZAR A LINGUAGEM E A COMUNICAÇÃO: falar a língua da juventude, usar plataformas e formatos que dialoguem com o presente e que despertem entusiasmo.
- CRIAR OPORTUNIDADES CONCRETAS: programas de formação, capacitação, empreendedorismo, estágios, mentoria e redes de liderança que transformem potencial em resultados reais.
- ESTIMULAR DEBATES PLURAIS E CONSTRUTIVOS: permitir que ideias inovadoras, críticas e diferentes visões sejam ouvidas, debatidas e transformadas em políticas ou projetos.
- FORMAR LÍDERES DO FUTURO: jovens que não apenas ocupem cargos, mas que sejam capazes de pensar Moçambique para os próximos 30, 50 anos, e de transformar desafios em conquistas.
A OJM tem estrutura, legitimidade e experiência acumulada ao longo de décadas. Mas mais do que isso, ela tem a oportunidade de “inspirar e orientar uma geração”. Inspirar jovens a acreditar que podem mudar suas vidas, a acreditar que podem transformar a sua comunidade, e a acreditar que podem participar activamente na construção de um país mais justo, igualitário e próspero. Para isso, é preciso inclusão.
À medida que a OJM se aproxima do seu 50.º aniversário, a hora não é apenas de olhar para o passado com orgulho, mas de “olhar para o futuro com coragem, ousadia e esperança”. O país mudou. A juventude mudou. E a OJM precisa mudar também, reinventando-se para ser relevante, próxima e inspiradora.
O futuro é de quem sonha, de quem age e de quem acredita. A juventude moçambicana é a seiva da nação — e a OJM tem a responsabilidade histórica e moral de ser o motor que impulsiona essa juventude rumo a novos horizontes. Mais do que celebrar conquistas, a OJM precisa “reacender a chama da ação, do protagonismo e da transformação”.
O futuro está à espera. E ele será moldado por aqueles que se atrevem a ouvir, inovar e agir. A OJM pode e deve ser essa força. A hora de inspirar e transformar é agora.
Victor Nhatitima
Gestor de Comunicação
Militante e Colaborador do PARTIDO FRELIMO





