Director: Marcelo Mosse

Maputo -

Actualizado de Segunda a Sexta

6 de October, 2025

Da extinção do BIP ao projecto de fusão TVM-RM : um desafio de reflexão estratégica sobre a viabilidade socio-económica dos órgãos de comunicação social estatais ou governamentais.

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BIP é a abreviatura de Bureau de Informação Pública. Numa tradução livre diriamos: “Departamento de Informação Pública”.
O Conselho de Ministros decretou, esta Terça-Feira, dia 30 de Setembro, a extinção do BIP e a transferência dos seus “restos” para o Gabinete de Informação (GABINFO).
Ambos estão sediados no edificio que albergava o Ministério da Informação (MINFO), extinto em 1994.
O BIP, criado nos anos 1980, tinha uma missão clara: ser uma janela aberta do Governo, através da qual o grande público iria obter informação de fontes oficiais, do género: estudos e pesquisas; revistas oficiais ou oficiosas; brochuras de divulgação social; e ainda simbolos da República, como a bandeira nacional, o emblema da República; fotografias oficiais de altos dignitarios da Nação ou de grandes eventos, etc, sob a liderança da muito competente Poly Gaster.
Era um modelo modernizado da antiga direccão nacional de publicidade e propaganda, do MINFO.
Porém havia já várias dezenas de anos que o BIP praticamente nada oferecia ao público, além da venda de bandeiras. Estrategicamente bem localizado, na esquina entre as Avenidas Eduardo Mondlane e Francisco Orlando Magumbwe, a natureza parasitária do BIP era chocante, porque muito exposta.
A sua extinção era, por isso, há muito esperada. E, segundo me parece (ou,simplesmente, meu …”whisfull thinking” !) ela precede um processo de revisão/ restruturação de outras instituições parasitárias ou, no mínimo, obsoletas, sob tutela do GABINFO.
Já aqui falei da Agência de Informação de Moçambique (AIM). Tem sido uma instituição obsoleta e por isso ,parasitária, há décadas.
Exceptuando a heroica resistência do seu serviço em Inglês, garantido pelo combativo veterano, Paul Fauvet, a AIM é um órgão vestigial de um passado ja longíquo. Ela perdeu-se nas nuvens do pluralismo informativo. Mas gasta erário público.
Há ainda outras três instituições sob a alçada do GABINFO que clamam por reformas estruturais, igualmente há décadas.
São elas: a “Maputo Corridor Radio”, um canal em Inglês, da Rádio Moçambique, durante varias décadas servindo como voz da luta dos povos do Zimbabwe e da Africa do Sul da sua libertação de regimes minoritarios e racistas.
Ganhas estas lutas, esta canal – que originalmente transmitia música clássica – também perdeu missão e anda muito desacaracterizado.
Temos ainda o Instituto de Comunicação Social (ICS) e a Escola de Jornalismo. Qualquer destas duas instituições tem estado a experimentar longas atravessias no deserto há décadas. Estão claramente desorientadas.
Elas têm estado à deriva. Sem visão estratégica e sem recursos que lhes garantam sustentabilidade.
Por exemplo não se compreende qual é o mercado que ainda recebe jovens com curso básico de jornalismo, hoje em dia! E ouvi dizer que ainda querem abrir cursos em horario pós-laboral!
No seu conjunto, todas estas instituições, criadas há várias décadas, e alvos de adaptações circunstanciais, apenas para a sua sobrevivência, clamam por profundas reformas. Reformas estruturais. Que redifinam as suas visões e missões. Inclusivamente numa perspectiva de eliminação de redundâncias parasitárias.
Parece-nos , pois, que se oferecem, ao governo, desafios de reflexões estratégicas arrojadas, para o reposionamento da AIM, do Maputo Corridor Rádio, do ICS e da Escola de Jornalismo, quase 50 anos após a criação de algumas destas instituições.
Em paralelo, fará todo o sentido o Governo retomar o projecto de fusão entre a Televisão de Moçambique e a Rádio Moçambique, sendo óbvias as virtualidades da convergência tecnológica da era digital,com imensas vantagens sob o ponto de vista de optimização económica.
Lembra-se que o projecto de fusão da TVM com a RM data da década de 1990, acarinhado pelo então Primeiro-Ministro, Dr. Pascoal Mocumbi, mas inviabilizado por questiúnculas que mais tinham a ver com gestão de egos pessoais, do que com visões estratégicas viradas para o futuro.
Este parece um prato bem cheio, na mesa do GABINFO.
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