O passado domingo, 31 de Agosto, ditou o término da sexagésima edição daquilo que na sua concepção e fundação – mas que, hoje, pouca gente conhece, sabe ou enxerga – foi conhecido como Feira Agro-Comercial e Industrial de Moçambique. São sessenta anos de realização anual. Muita estrada andada! Só isso, é motivo bastante para uma calorosa saudação.
No entanto, cada ano que passa, evento após evento, a palidez do evento ganha um tom também cada vez mais denso. Uma palidez, cinzentismo e nebulosidade que aqueles media que já conhecemos não vêem, nem têm estado a ver, nem mesmo a ouvir até de gente formada e informada sobre este tipo de eventos. A FACIM foi um sucesso para aqui e para acolá; foi brilhante, extraordinária, isto mais aquilo… e fica-se por aí! Fica mesmo a ideia de que foi… Sobre a essência, lógica e conceito de uma verdadeira feira nacional, que estão em corrosão progressiva, nem uma palavrinha. Dos constrangimentos e do cinzentismo que dela vai tomando conta, nada! Da imperiosa necessidade de ela subir de qualidade e oferecer mais e melhor quer aos expositores, quer aos visitantes, nadinha de nada!
Ninguém aponta um factor de bastante relevo na localização daquela Feira: o acesso. Na sua origem, foi implantada justamente na baixa da cidade capital, no últíssimo quarteirão da urbe, digamos que no seu estômago. Por outras palavras, na confluência de todos os caminhos, de todos os meios de transporte existentes na altura: da estação central dos CFM para a então FACIM, era uma caminhada de nada… dos terminais de autocarros para lá, eram pequeníssimas distâncias – do “Anjo Voador” estava-se quase na FACIM -, aliás: nos tempos da FACIM, muitos autocarros partindo de vários bairros iam desembocar na FACIM. Sem esquecer que muitos citadinos de vários bairros de Maputo iam a pé para aquele local!… E mesmo quando evoluímos para os “chapas”, antes de agora que evoluímos para tractores, havia chapas que se destinavam à FACIM! Aquilo eram bastantes movimentos, incessantes, uma agitação enorme para a baixa da cidade.
Certo, e de compreender e aceitar, que alguém tenha entendido que a FACIM já crescera demais e precisava de um espaço seu, sumptuoso, sem limitações, como tinha na baixa. Boa ideia mesmo! E ali naquele local de Marracuene foi-se implantar a nossa Feira. Só que, desde então, há 11 anos, ano após ano, ir à FACIM tem sido um acto de heróis, de algum kamikazismo – a não ser quando se vai à busca de gonazororo: não é para quem quer, mas para quem pode! O acesso a este local é bem problemático, complicado; seja através de transporte público, seja através de transporte próprio. Transporte público praticamente inexiste… não temos os comboios! Os autocarros… é uma confusão, muitas vezes deixam os passageiros na EN1. Os chapas… só os chapas! Mas terminam cedo… um evento em que alguém ia divertir-se até às 23 horas… agora tem que sair cedo, porque senão não apanha mais chapa! Transporte próprio… os engarrafamentos pelas vias para se ir dar acesso são um frenesim e a confusão e o preço para parqueamento condimentam ainda mais o sabor amargo. Na prática, só se tem uma via para se aceder à FACIM, a EN1. Para a saída… o troço da saída ainda não está asfaltado, onze anos depois de a Feira ter passado para aquele local. Um pequeníssimo troço, mas com uma partinha letal, muito arenosa, carrinhos e carrinhos enterram e criam engarrafamentos que embaraçam e tornam insossa a visita de um cidadão normal…
A localização, tal como está deixada, sem acessos fáceis e transporte público consistente, não ajuda nada ao cidadão comum!
Se os visitantes não têm comodidade, os expositores não estão também felizes da vida. Ninguém está feliz da vida! Têm os seus constrangimentos. Por exemplo, consideram excessivos os valores que a APIEX cobra para o aluguer de um espaçozeco para a exposição dos seus produtos. Espaços que consistem em tendas ou cazotes em materiais pré-fabricados, apesar dos anos em que já se estabeleceu. Valores que não incluem armazenamento dos produtos – cada expositor tem que se arranjar -, nem o acesso para os expositores, que têm que pagar as entradas sempre que lá se fizerem.
Daqui decorre uma série de questões. Afinal a ideia não é promover o empresariado nacional; ajudá-lo a crescer; ajudá-lo a terem mais clientes? Por quê então tem que se cobrar a doer aos empreendedores que pretendem expor o seu empreendimento bem como os seus produtos? Por outro lado, a ideia não é trazer mais visitantes para verem e comprarem os produtos em exposição? Se sim, então por quê cobrar a doer aos visitantes? Os visitantes têm que pagar para irem comprar? Qual é a lógica por aí? Mas, bastante mais intrigante é o seguinte: o que a APIEX faz com os valores que arrecada por cada edição da FACIM? Não era suposto que, pelo menos, conseguissem asfaltar o acesso de saída até EN1 e melhorassem a via que vai dar à Circular? Até hoje, 11 anos depois, não consegue? E mais: não consegue a APIEX realizar mais eventos naquele espaço? Feiras sectorias… tipo feira de tecnologia agrária; feira mobiliária; feira de gados; feira de produtos de… não sei o quê mais.
Aquilo só serve para acolher um e único evento por ano? E ainda assim com muitos murmúrios?
Isto tudo aqueles media que conhecemos não vêem! Só tudo florescente!
ME Mabunda





