Aquino de Bragança (1924-1986), nacionalista moçambicano, nascido na então colónia portuguesa de Goa (Índia), foi um conceituado jornalista, académico, diplomata e político moçambicano que se notabilizou na luta pelas independências das colónias em África, em particular das de domínio português, destacando Moçambique.
Com a independência de Moçambique (1975), Aquino de Bragança desempenhou várias funções com relevo para as de conselheiro de Estado; e foi também, em 1976, um dos fundadores e primeiro director do Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane, local onde leccionava. Aquino de Bragança foi uma das vítimas mortais do acidente de Mbuzine em que morreu Samora Machel, o primeiro presidente de Moçambique independente, em Outubro de 1986.
Sobre Aquino de Bragança, e para resumir, consta que no período pós-Independência, e até o da luta de libertação nacional, ele fora um dos principais senão o principal visionário e pensador estratégico do Estado moçambicano e da própria Frelimo, frente e partido. Samora Machel teve em Aquino de Bragança, nos bastidores dos holofotes, o seu conselheiro-mor e um suporte intelectual incalculável.
Nos atribulados anos 70/80, no auge da Guerra-Fria, o país granjeou respeito no exterior pelo seu papel de “political champions” regional e não só, tendo até merecido a alta consideração da Administração americana de Ronald Reagan, obra que certamente contou, sobremaneira, com o dedo de Aquino de Bragança.
Com a morte do presidente Samora Machel, decorrente do acidente de Mbuzine, Joaquim Chissano substituiu o malogrado presidente. E quem terá substituído Aquino de Bragança?
Esta pergunta, e sucessivamente em relação aos consulados dos presidentes que se seguiram, ocorre-me sempre que tenho a forte convicção de que o país está mesmo à deriva. Pelos vistos é uma convicção fortemente generalizada. Ou seja: no xadrez da governação do país continua por ser preenchida a vaga deixada por Aquino de Bragança em Outubro de 1986.





