Há semanas que se assiste no campo de batalha da guerra russo-ucraniana e no campo de batalha da guerra edilidade de Maputo vs. vendedores informais a mesma estratégia de guerra para obter ganhos territoriais nas negociações já em curso para os respectivos desfechos.
A primeira guerra decorre na Ucrânia e a segunda na Cidade de Maputo, concretamente na Baixa da cidade, a principal área comercial e de serviços do país. Nos dois casos as lideranças, a russa e a dos vendedores informais, procuram ocupar a maior fatia de território possível para maximizar ganhos e fortalecer as respectivas posições na mesa de negociação.
Putin, o líder russo, intensificou nas vésperas e depois do encontro com Trump, o presidente americano, os seus ataques de grande escala ao território ucraniano e procura assim conquistar mais território das províncias ucranianas que reivindica como suas.
Por sua vez, os vendedores informais da Baixa da cidade intensificaram nos últimos tempos a ocupação de passeios, sobretudo depois de um encontro recente entre estes e a edilidade de Maputo, onde esta prometeu ensaiar a oficialização da venda nos passeios.
Não é por acaso que por estes dias, um pouco por toda a Baixa, e onde nem não havia venda nos passeios, se assiste a uma corrida para a sua ocupação e desta vez com demarcações de “talhões” e nome dos respectivos detentores do DUAP (Direito de Uso e Aproveitamento dos Passeios).
Em ambos os teatros de guerra, russo-ucraniana e edilidade de Maputo vs. vendedores informais, os sinais de recuo – tanto da Ucrânia, que já admite alguma perda de território em troca da paz, como os da edilidade de Maputo, que desistiu da retirada total de vendedores informais da Praça dos Combatentes – foram aproveitados para a estratégia de ocupação efectiva dos respectivos antagonistas, ora intensificadas no quadro das respectivas negociações de paz em curso.
Qual será o desfecho destas guerras? A russo-ucraniana e da edilidade de Maputo vs. vendedores informais? Aguardemos pelo desenvolvimento das movimentações quer no terreno de batalha quer na mesa de negociação, ambas em curso simultâneo.





