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18 de August, 2025

Somos todos inocentes até prova em contrário

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Acabava de entrar numa casa de pasto e ouvi alguém a afirmar categoricamente que “Somos todos da Frelimo até prova em contrário”. Um silêncio irrompeu enquanto aproximava-me da mesa à convite gesticular de quem, normalmente, preside os ocasionais debates sobre a agenda da governação da Pérola do Índico, sobretudo em momentos de nomeações (subidas) e exonerações (quedas) governamentais de relevo.

Ainda não tinha feito o pedido da bebida, ouvi: “Deixem ele continuar. É ciência o que fala. Continue!”. Orientava um dos presentes e habitual acérrimo defensor do lado governamental, e que se sentia fortalecido diante do pronunciamento que o favorecia no debate, sobretudo porque vinha de alguém com a folha limpa, quanto a ser de um ou outro partido ou ainda pertencente a uma organização da sociedade civil.

“Quem é da oposição e que não tenha sido da Frelimo? “. Perguntou o “Folha Limpa” em defesa da sua tese. Algum sururu, mas no final a mesa concluiu que de facto não se conhecia um único exemplar na praça pública. Por acaso foram arrolados nomes eminentes da oposição e da sociedade civil e todos com um passado no partido da massaroca e do batuque.

Corriam os primeiros anos da primeira década do século XXI quando este debate ocorreu. Ainda era o tempo do presidente Joaquim Chissano que ia na metade do seu segundo e último mandato sufragado. Depois de Chissano, estiveram mais dois presidentes, ambos com os dois mandatos constitucionais cumpridos.

Conto isto a propósito das recentes nomeações de Daniel Chapo, actual Presidente da Republica (PR), sobretudo a nomeação referente a comunicação institucional da Presidência. Do acalorado debate a sensação de que o tempo não passou e nada mudou, incluindo, em cada mesa, a presença de um “Folha Limpa” a passar a classe da tese de que “Somos todos da Frelimo até prova em contrário”.

Por enquanto, e para terminar: até as próximas nomeações presidenciais resta a cada um dos moçambicanos, incluindo quem ainda conserva alguma expectativa de alguma nomeação, o pleno gozo da presunção de inocência à luz de que “Somos todos inocentes até prova em contrário”.

 

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