Director: Marcelo Mosse

Maputo -

Actualizado de Segunda a Sexta

29 de July, 2025

“Moçambique face a um Novo Pacto Global para o Desenvolvimento”

Escrito por

– Instituições Financeiras de Desenvolvimento: Um Pilar para o Crescimento Inclusivo em Moçambique (III)

Num mundo em rápida transformação, Moçambique enfrenta uma pergunta central: como financiar o seu desenvolvimento de forma sustentável, inclusiva e sem depender excessivamente da ajuda externa? É este o tema do terceiro artigo que inserimos nesta edição sobre a problemática de “Moçambique face a um Novo Pacto Global para o Desenvolvimento”. Como referido nos dois artigos anteriores, abordámos primeiramente as novas tendências internacionais relativas ao financiamento ao desenvolvimento (do Consenso de Monterrey ao Compromisso de Sevilha) e, seguidamente, sob o título “do donativo à parceria”, tratámos dos desafios que se colocam a Moçambique para se reposicionar como parceiro credível e atractivo para o investimento sustentável. Na próxima edição da “Carta”, o autor desta série de artigos abordará a urgência e oportunidade de “Um Pacto Nacional para o Desenvolvimento Sustentável”.

Instituições Financeiras de Desenvolvimento: Um Pilar para o Crescimento Inclusivo em Moçambique

Num mundo em rápida transformação, Moçambique enfrenta uma pergunta central: como financiar o seu desenvolvimento de forma sustentável, inclusiva e sem depender excessivamente da ajuda externa?

As respostas não virão apenas de fora. Cada vez mais, o caminho passa por fortalecer as instituições nacionais capazes de mobilizar recursos, apoiar a economia real e garantir que o crescimento chegue a todos os cantos do país. Entre essas instituições, ganham especial relevância as Instituições Financeiras de Desenvolvimento (IFD).

Por que São Importantes as Instituições Financeiras de Desenvolvimento?

As IFD são organizações criadas para investir naquilo que os bancos comerciais tradicionais evitam:

  • Pequenas e Médias Empresas (PME);
  • Projectos de inclusão financeira;
  • Iniciativas de empreendedorismo jovem, feminino ou rural;
  • Sectores inovadores ou de alto risco social.

São estas instituições que, em muitos países, permitem transformar boas ideias em negócios reais, criar emprego local e estimular sectores estratégicos como agricultura, indústria leve ou energias renováveis. Sob certas condições, essas IFD podem ser constituídas sob a forma de bancos de desenvolvimento, mas não é necessário que adoptem esse modelo. O que é determinante não é tanto a natureza de uma estrutura accionista pública dominante, mas sim o modelo de gestão e a qualidade de governação que assegurem a realização de objectivos de interesse público.

Num momento em que os grandes doadores internacionais estão a repensar ou a reduzir os seus apoios, as IFD podem tornar-se a principal ponte entre o capital global e as necessidades locais.

O Caso da Gapi-Sociedade de Investimentos

Moçambique tem neste campo uma instituição que pode e deve ser ainda mais valorizada: a Gapi-Sociedade de Investimentos.

Desde a sua criação, a Gapi tem desempenhado um papel fundamental no fomento de:

  • Pequenos negócios e microempresas em zonas urbanas e rurais;
  • Startups e empresas lideradas por jovens e mulheres;
  • Projectos de impacto social e desenvolvimento local.

Ao longo de mais de 30 anos, a Gapi foi crescendo e aprendendo a operar de forma autónoma, com foco no impacto económico e social, e com respeito pelas boas práticas de governação. A sua classificação com um desempenho de 92% entre as demais IFD membros da Associação Africana das Instituições Financeiras de Desenvolvimento (AADFI) é disso revelador. Este percurso é hoje uma vantagem estratégica: numa era em que os financiadores exigem transparência, eficácia e impacto comprovado, instituições como a Gapi estão melhor posicionadas para apoiar as políticas e programas nacionais públicos de desenvolvimento com vista a captar recursos e parcerias.

Boa Governação: A Condição Essencial

Porém, o futuro exige mais. Se o Governo de Moçambique quer realmente fazer das IFD uma alavanca para o crescimento, precisa de garantir que as instituições que ambiciona criar ou pretende apoiar:

  • São geridas com independência e profissionalismo, livres de interferências políticas que minam a confiança dos investidores;
  • Prestam contas de forma transparente, demonstrando com dados concretos o impacto dos investimentos;
  • Apostam na inovação financeira, combinando recursos públicos, privados e internacionais para maximizar resultados.

É esta cultura de boa governação e gestão de resultados que está na base do sucesso das melhores instituições financeiras de desenvolvimento no mundo — e é essa a rota que Moçambique precisa seguir.

O Desafio da Mobilização de Recursos

Num cenário global marcado pela redução da ajuda internacional e pela competição por recursos financeiros, o sistema financeiro moçambicano tem de estar apetrechado de IFD credíveis e com estrutura governativa e financeira capaz de:

  • Mobilizar capital nacional (poupanças locais, fundos de pensões, seguros);
  • Atrair investimento estrangeiro, tanto público como privado, demonstrando segurança e eficiência;
  • Apostar em produtos financeiros inovadores e adaptados às realidades locais (microcrédito, leasing, fundos de impacto, etc.).

A Gapi tem já dado passos concretos neste sentido, mas o desafio é grande: é preciso escalar, diversificar e sobretudo comunicar melhor o impacto social e económico das suas acções.

Oportunidade para um Crescimento Inclusivo

Fortalecer as IFD não é apenas uma questão financeira — é uma questão de justiça social e coesão nacional. São estas instituições que podem garantir que:

  • Jovens com ideias inovadoras não sejam forçados a emigrar por falta de oportunidades;
  • Mulheres empreendedoras tenham acesso ao crédito e ao conhecimento para expandir os seus negócios;
  • Agricultores e pequenos produtores possam modernizar-se e criar valor acrescentado localmente.

Com instituições fortes, governadas com rigor e visão estratégica, Moçambique pode transformar o actual contexto global — marcado por incertezas e mudanças — numa oportunidade para um crescimento mais inclusivo, resiliente e sustentável.

Conclusão: Hora de Acreditar no Potencial Local

Moçambique tem recursos, tem talento e tem instituições como a Gapi que podem liderar este novo ciclo de desenvolvimento. O reforço e valorização destas instituições é mais do que uma necessidade — é um imperativo nacional para garantir que o progresso económico não seja apenas uma promessa, mas uma realidade palpável para milhões de moçambicanos.

 

 

Visited 20 times, 1 visit(s) today

Sir Motors

Ler 131 vezes