O académico Teodoro Andrade Waty, membro do Comité Central da Frelimo, o órgão mais importante do partido no poder no intervalo entre os Congressos, defende que Venâncio Mondlane, segundo candidato mais votado das eleições presidenciais de 09 de Outubro de 2024, não pode ser ignorado na busca de soluções para acabar com a crise política pós-eleitoral instalada no país há quatro meses.
Em entrevista à “Carta”, o antigo Presidente da Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade da Assembleia da República disse que não há diálogo que resulte sem todas as pessoas que podem contribuir para a solução dos problemas.
“Não tenho muita substância sobre o diálogo. Apenas sei que acontece. No meu entender, não há diálogo sem todas as pessoas que podem contribuir para a solução e Venâncio Mondlane é uma parte que não pode ser desprezada. É minha opinião. Não estou a dizer que o partido pensa dessa maneira. Mas, não acredito que, em boa consciência, nós possamos ignorar Venâncio. Por enquanto, não podemos ignorar”, defendeu Waty, em resposta a uma pergunta da “Carta” sobre a eficácia do modelo de diálogo até então optado pelo Presidente da República, de conversar com os partidos com assento parlamentar para pôr um ponto final à crise pós-eleitoral instalada no país.
Refira-se que, desde a tomada de posse, a 15 de Janeiro, Daniel Chapo ainda não se reuniu com Venâncio Mondlane e muito menos se conhecem, publicamente, os passos dados pelo Chefe de Estado para dialogar com o ex-candidato presidencial, responsável pela convocação dos protestos populares contra os resultados eleitorais.
Até ao momento, o Presidente da República tem-se pronunciado apenas sobre o diálogo inter-partidário, envolvendo formações políticas com assento na Assembleia da República, uma iniciativa que, segundo Chapo, será alargada à sociedade civil, académicos, religiosos, sector privado, entre outros extratos da sociedade.
Segundo Teodoro Waty, a constante contestação do partido no poder nas ruas, em quase todo o país, colocando em causa a sua vitória eleitoral, ilustra que a Frelimo precisa de se reencontrar com o povo.
“Sempre que notamos que parte do povo está desavinda com a Frelimo não temos outra solução senão criarmos condições para nos reencontrarmos com o povo. Claramente que não foi nesta sessão que analisamos a situação política interna, nacional e internacional”, disse o jurista, apontando este facto como o principal desafio da nova liderança do partido no poder. (A.M.)