Ainda não chegou às Pequenas e Médias Empresas (PME) o financiamento de 15 milhões de USD disponibilizado pelo Banco Mundial para ajudar os negócios afectados pela passagem dos ciclones Idai e Kenneth, que sacudiram a zona centro e norte do país, nos meses de Março e Abril de 2019, respectivamente.
A informação foi avançada pelo Presidente da Associação Comercial da Beira (ACB), Félix Machado, durante a segunda Conferência da Banca e Seguros, realizada na Cidade da Beira, capital provincial de Sofala. Citado pelo Notícias, na sua edição de ontem, Machado assegurou que a situação está a frustrar os empresários, que há três anos aguardam pelo apoio para retomar os seus negócios.
A Linha de Crédito de 15 milhões de USD às PME afectadas pelos Ciclones Idai e Kenneth foi anunciada em Agosto do ano passado pelo Gabinete de Reconstrução Pós-Ciclones (GREPOC), durante um colóquio com os órgãos de comunicação social, em Maputo.
Na explicação do GREPOC, a linha de crédito visa financiar investimentos ou a tesouraria de pelo menos duas mil PME, localizadas nas províncias mais afectadas pelos dois ciclones (Sofala e Cabo Delgado), assim como nas províncias de Manica, Zambézia, Inhambane, Tete e Nampula.
Segundo o Presidente da ACB, citado pelo matutino, a demora no desembolso do valor deve-se aos procedimentos que estão a ser seguidos na avaliação dos processos de elegibilidade. Diz haver excesso de burocracia e imposição de regras que não se aplicam para o contexto africano.
“Os valores que as empresas estão a pedir são irrisórios e nem chegam a 200 mil Meticais, mas estamos há meses a discutir coisas tão pequenas e isto é frustrante”, disse Machado.
No entanto, o Director-Executivo do GREPOC, Luís Mandlate, ouvido pelo Notícias, pede calma aos empresários, alegando que decorre, neste momento, o critério de avaliação das empresas para verificar a sua eficácia.
A fonte revelou que o processo de avaliação dura no máximo oito meses e que estão a ser envidados esforços com vista à redução deste período. “Todo o cuidado é pouco e queremos reavaliar o processo que deverá indicar os primeiros apurados até à primeira quinzena de Julho”, garantiu a fonte, citada pelo Notícias.
Refira-se que o apoio às PME não é o único processo que se encontra atrasado no projecto de reconstrução pós-ciclones. Projectos da área da saúde, educação, habitação e estradas e pontes também se encontram atrasados. (Carta)