A Yango reconhece a existência de relatos sobre pagamentos adicionais e afirma que os casos configuram violação directa das suas políticas, podendo resultar na remoção permanente dos infractores da plataforma. A empresa recomenda aos passageiros que reportem imediatamente qualquer cobrança adicional através do suporte disponível na aplicação, defendendo que as denúncias são essenciais para identificar, investigar e impedir a repetição das infracções.
A reacção da empresa ocorre poucos dias depois da publicação da reportagem intitulada “Yango: cobranças extras e recusa de viagens ao arrepio da Lei de Defesa do Consumidor”, que reuniu relatos de utilizadores sobre motoristas que, segundo as queixas, condicionam a prestação do serviço ao pagamento de valores superiores aos apresentados no aplicativo.
Ao mesmo tempo que responde às denúncias, a Yango apresenta novos dados sobre os seus mecanismos de segurança em África. Dados do Relatório de Segurança 2024-2025, divulgados pela empresa a 10 de Setembro de 2026, indicam uma redução de 38% nos incidentes de condução imprudente em África, associada à actualização de tecnologias de análise do estilo de condução e de controlo de velocidade.
A redução, segundo os dados apresentados pela empresa, foi de 35% na Costa do Marfim, 49% na Zâmbia, 34% em Angola e 33% no Senegal. A Yango afirma ainda que, em 2026, as reclamações relacionadas com contactos após a viagem diminuíram 11% na Costa do Marfim, 22% em Angola, 8% no Senegal e 4% na Zâmbia, na sequência da implementação de tecnologias de chamadas destinadas a proteger a privacidade dos utilizadores. O relatório revela também que o apoio urgente da plataforma funciona 24 horas por dia, nos mercados onde a Yango opera.
Tecnologia usada para controlar comportamentos
A Yango sustenta que os seus mecanismos de segurança começam antes mesmo do início da viagem, através da verificação de identidade e documentos, incluindo a carta de condução, controlos recorrentes por “selfie” e sistemas anti-fraude.
Durante a viagem, passageiros e motoristas podem aceder a um Centro de Segurança, partilhar os detalhes da rota com contactos de confiança, contactar o apoio urgente em situações de conflito e utilizar o botão SOS para solicitar assistência dos serviços de emergência locais. A empresa garante igualmente estar a utilizar dados de GPS para analisar o estilo de condução e monitorar a velocidade, permitindo identificar comportamentos considerados repetidamente inseguros e aplicar medidas que podem variar entre advertências e remoção da plataforma.
Depois da viagem, tanto o passageiro como o motorista podem avaliar a experiência e deixar comentários sobre a outra parte. Para a Yango, este mecanismo integra o conjunto de informações utilizadas para acompanhar o comportamento dos utilizadores da plataforma.
No caso específico das cobranças acima do valor apresentado na aplicação, a empresa reforça que a denúncia do passageiro é fundamental para desencadear a investigação. A Yango esclarece que uma reclamação não equivale automaticamente à confirmação de uma infracção. Cada ocorrência, segundo a empresa, é analisada individualmente, com recurso às informações disponibilizadas pelas partes envolvidas.
A Yango não revelou nas declarações prestadas à “Carta” um número específico de motoristas que tenham perdido o acesso à plataforma em Moçambique por acumulação de reclamações. Explicou que o número de reclamações e de intervenções são distintos, uma vez que uma denúncia dá início a uma análise e a sanção só ocorre quando a violação das regras é comprovada.
Segundo a Yango, as medidas podem incluir advertências, restrições temporárias ou remoção permanente, dependendo da gravidade e reincidência do comportamento. A empresa acrescenta que, a nível global, identificou sinais de possível fraude e bloqueou 17.275 contas de passageiros em 2024 e 2025, uma medida que, segundo a plataforma, também visa proteger os motoristas de interacções consideradas prejudiciais.
Responsabilidade numa relação indirecta
Sobre as queixas dos motoristas relativamente à falta de diálogo, a Yango afirma estar a investir em formação e educação para a segurança e mecanismos de contacto com os seus parceiros nos mercados africanos.
A empresa sustenta que os motoristas são prestadores independentes de serviços e não trabalhadores da Yango, cabendo à plataforma disponibilizar a tecnologia e o ecossistema que lhes permitem aceder à procura de passageiros. Ou seja, a empresa Yango dispõe da tecnologia e os operadores fazem uso dela, mas não estão directamente ligados a Yango.
A posição agora assumida pela empresa coloca as denúncias dos passageiros no centro do sistema de fiscalização da própria plataforma.
A Yango diz ter tecnologia para detectar comportamentos de risco e mecanismos para sancionar infracções, mas reconhece que, em relação às cobranças adicionais, a comunicação dos passageiros continua a ser uma das principais portas de entrada para a identificação dos casos.
Em Moçambique, permanece assim a questão sobre a eficácia prática desses mecanismos diante das reclamações de passageiros que afirmam ter enfrentado pedidos de pagamento superiores ao valor indicado no aplicativo.





