Os terroristas que, nos últimos dias, “visitavam” com frequência a sede da localidade de Pangane, posto administrativo de Mucojo, no distrito de Macomia, em Cabo Delgado, já não o fazem devido à presença da força ruandesa na região.
Residentes de Pangane disseram à “Carta” que tal situação está a contribuir para a redução do medo por parte da população.
Sublinharam ainda que isso representa um alívio, uma vez que põe termo às alegações, supostamente vindas de alguns membros da autoridade local e das Forças de Defesa e Segurança, de que os populares estariam a facilitar a logística dos terroristas.
No entanto, as nossas fontes anotaram que as famílias que retornaram estão a enfrentar dias difíceis devido à falta de serviços médicos. “Não temos hospital, nem primeiros socorros. Portanto, estamos a viver na incerteza”, disse o comerciante de pescado Muarabo Chehe.
O sentimento de falta de serviços básicos também se estende ao sector da educação. “Ainda não temos escola. As pessoas estão aqui, mas não temos autoridade do Estado. Aqui só temos militares do Ruanda que nos visitam. Agradecemos pela segurança, mas não temos infra-estruturas económicas e sociais, como saúde, água e escola”, comentou outro comerciante.
Refira-se que, nos últimos dias, a estrada que liga a vila de Macomia ao posto administrativo de Mucojo foi reabilitada, com o objectivo de facilitar a mobilidade das tropas ruandesas nas suas missões de combate aos terroristas. Além disso, a mesma via é usada pelos operadores de transporte semi-colectivo. (Carta)