A Associação Nacional dos Professores (ANAPRO) afirma que cerca de 35 mil alunos foram afectados pelo boicote de exames em todo o país. Como consequência, está comprometido ou mesmo inviabilizado o ingresso, no próximo ano, dos alunos finalistas ao Ensino Superior e ao Ensino Técnico Profissional, visto que muitos não realizaram os exames este ano e outros só terão os seus exames corrigidos durante o período de férias.
De acordo com informações fornecidas pela ANAPRO, há neste momento mais de 100 escolas que boicotaram a realização de exames em todo o país, o que compromete, consequentemente, os programas do ano lectivo de 2025. Entretanto, os professores dizem não entender o posicionamento do Governo ao anunciar que está em curso o pagamento de horas extras e não compreendem como esse processo está a ser conduzido.
“As horas extras estão a ser pagas de forma parcial, esporádica e sem clareza quanto aos valores, além da falta de comunicação sobre o assunto. Das escolas envolvidas no boicote e nas reivindicações, contabilizam-se cerca de 2.000 professores, dos quais muitos têm recebido as horas extras de 2023 de forma parcial, com deficiências graves também no pagamento das horas de 2022. Até ao momento, não houve desembolso de nenhum valor referente ao ano de 2024”, destacam.
O grupo afirma que o procedimento adoptado pelo Governo está a gerar mais frustração no seio da classe, devido às discrepâncias e à falta de esclarecimento sobre os quantitativos, além do facto de, em algumas escolas, os pagamentos estarem a ser feitos para alguns, em detrimento de outros.
A associação repudia o facto de o Governo estar a ignorar os acontecimentos dos últimos dias e reitera que os professores devem manter-se no gozo dos seus direitos. Porém, afirmam que os alunos e a sociedade devem ser informados atempadamente pela entidade responsável pela gestão do sistema nacional de educação sobre os passos subsequentes.
Por outro lado, a associação denuncia que alguns exames foram realizados sem a devida assistência dos professores, outros foram vigiados por funcionários administrativos e outros ainda por pessoas convidadas pelas direcções distritais.
Além disso, houve intervenção violenta da polícia no decorrer do processo e instrumentalização de alunos para o cumprimento das metas (alunos sacrificados, chegando às 07h00 nas escolas para realizar exames às 13h00 por conta das manifestações). Os professores também foram instrumentalizados pelas direcções a ditarem respostas, incluindo cobranças de valores monetários para o fornecimento de respostas. (M.A.)