Os transportadores de passageiros que circulam na rota de T3, que liga vários bairros da província e cidade de Maputo, paralisaram as suas actividades nesta segunda-feira (31), em protesto contra o regresso da Polícia Municipal à via pública.
Vários operadores de todas as rotas que desaguam no terminal de T3 estiveram literalmente parados. Os que insistiram em carregar viram as suas viagens interrompidas e os passageiros obrigados a descer das viaturas e seguir viagem a pé, como forma de protesto dos automobilistas contra o regresso da Polícia Municipal.
João Albazine, um dos transportadores da rota Cidade de Matola/T3, disse à “Carta” que decidiram paralisar as actividades devido às cobranças feitas pelos agentes da Polícia Municipal em cada ponto.
“A Polícia está a retirar as cartas de todos os automobilistas que não estão habilitados para serviços públicos, sendo que boa parte de nós não tem esse tipo de carta. Mesmo para os automobilistas que têm essa carta a Polícia sempre encontra um motivo para reter as nossas viaturas e só podemos reavê-las mediante o pagamento de multas exorbitantes”, afirmou Albazine.
Em conversa com outro automobilista, este afirmou que, na verdade, os agentes da Polícia Municipal estão na estrada para fazer dinheiro, uma vez que nunca se entende a razão de estarem parados em cada esquina.
Por seu turno, o porta-voz da Polícia Municipal da Matola, Sérgio Bavo, explicou que a corporação está posicionada nos principais terminais rodoviários da edilidade, desde há duas semanas, após receber várias reclamações dos munícipes sobre as cobranças feitas pelos cobradores, que os obrigam a fazer várias ligações para chegar a um determinado ponto.
“Por esta razão, decidimos monitorar os automobilistas, sobretudo nas horas de pico, para garantir que o transporte leve os passageiros ao destino sem interromper a viagem ao longo do caminho”, frisou.
“Nós estamos aqui para impor a ordem. Em relação às acusações sobre as cobranças ilícitas por parte de alguns agentes, isso não corresponde à verdade, até porque não existem postos ao longo da via. O que queremos é garantir que os passageiros cheguem ao destino e evitem pagar por várias ligações na mesma rota”, acrescentou.
Por outro lado, na província de Manica, na rota Beira/Machipanda, os transportadores também paralisaram as suas actividades nesta segunda-feira, em protesto contra a existência de vários postos de fiscalização da Polícia de Trânsito.