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1 de Abril, 2025

Ataques terroristas: Insurgentes voltam a extorquir passageiros ao longo da Estrada N380

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Os terroristas que actuam em Cabo Delgado voltaram a cobrar, há dias, avultadas somas de dinheiro aos passageiros ao longo da EN380, numa área pertencente ao distrito de Macomia. Na sua “caça ao dinheiro”, os terroristas também montaram “portagens” para extorsão aos utentes que se dirigiam para o norte, centro e sul da província.

Fontes informaram à “Carta” que os valores cobrados variavam de acordo com os critérios adoptados pelos insurgentes e os passageiros pagaram em dinheiro físico ou por transferência através dos serviços de E-mola e M-Pesa.

“Conversei com o motorista de um dos carros. Ele contou que foi o primeiro a ser capturado na quarta-feira. Foi liberto com vida por ser muçulmano e ter sinais de oração na cara, mas os terroristas tiraram-lhe o telefone, dinheiro e tudo o que tinha na conta E-mola”, relatou uma fonte que conversou com o condutor.

Outra fonte afirmou que, em outro incidente, passageiros que seguiam de carro de Pemba a Muidumbe foram forçados a entregar dinheiro. “Aconteceu sim, uma das viaturas era de um senhor que trabalha em Pemba, faz transporte da cidade até Muidumbe. Ele é natural de lá, na aldeia Mandava”, explicou a fonte, acrescentando que outros carros também foram obrigados a pagar “portagem” pelos terroristas.

Ainda na semana passada, um dos casos mediáticos de pagamento aos terroristas, que haviam estabelecido “portagens” perto da aldeia Chai, ao longo da EN380, envolveu um sheik de Nampula, Ahmad Omar Saide, cidadão nacional que por alguns anos trabalhou na empresa de transporte Nagi Investimentos.

Segundo uma publicação na página do Facebook denominada Gazeta Árabe, no passado dia 27 de Março, o sheik foi interceptado, junto com outros utentes da rodovia, por 10 terroristas fortemente armados, enquanto regressava da Tanzânia.

Na mesma hora (7h00 da manhã), outras três viaturas também foram interceptadas e os seus ocupantes, à semelhança do sheik, foram feitos reféns.

Pouco depois, foram levados para um acampamento, onde, após negociações, o sheik foi liberto após o pagamento de 50 mil meticais. O montante resultou da contribuição de seus familiares e conhecidos.

Gazeta Árabe também menciona que o valor exigido para a libertação de outros 15 reféns foi maior, comparativamente ao aplicado ao sheik, por este professar a religião muçulmana.

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