A certificação é um calcanhar de Aquiles para a maioria das empresas em Moçambique, principalmente as micro, pequenas e médias (PME). Como consequência, há muito poucas empresas certificadas no país. Assim sendo, para ultrapassar o desafio, um especialista do sector defende a proliferação de consultores em certificação.
A tese foi defendida por Rosmarim Matlaba, Consultor e Director Executivo na Market Developers, falando esta quarta-feira (31), na Feira Internacional de Maputo (FACIM), numa mesa-redonda organizada pelo Porto de Maputo sobre a matéria. Matlaba sabe que um dos principais dilemas para se chegar à certificação são os custos associados.
“O custo elevado no processo de certificação deve-se à pouca existência de consultores sobre a matéria no país. Os poucos existentes cobram muito caro. Para reverter esse cenário, há necessidade de uma proliferação de consultores de certificação, pois quanto maior for o número destes, menor será o custo do processo de certificação. Nesse contexto, nós temos um programa que visa formar 10 mil consultores nos próximos oito anos”, disse a fonte.
Para além do elevado custo, no rol dos desafios para a certificação, consta o desconhecimento do sector empresarial sobre a matéria. Dessas questões, concordaram os outros dois intervenientes do debate, nomeadamente Manuel Nunes, Director de Certificação no Instituto Nacional de Normalização e Qualidade (INNOQ) e Elias Mondlane, Gestor do Gabinete de Apoio Empresarial na Confederação das Associações Económicas (CTA).
Na senda dos referidos desafios, Nunes disse que, desde o surgimento, há 22 anos, o INNOQ só certificou 120 empresas (uma média de cinco empresas por ano), principalmente do sector de prestação de serviços e construção civil.
Com o boom do gás natural e consequente vinda de multinacionais para explorar o recurso, a CTA lançou, no fim de 2019, o Programa Nacional de Certificação Empresarial (PRONACER). Entretanto, com a eclosão da pandemia da Covid-19, o número de empresas certificadas no âmbito do PRONACER está muito abaixo das expectativas.
“Quando lançamos o PRONACER, tivemos 155 empresas inscritas. Desenhamos três fases de implementação, em que a primeira era a capacitação, na qual participaram 100 empresas, depois foram seleccionadas 25 empresas para a segunda fase que é de implementação do sistema de gestão de qualidade. Entretanto, só três empresas se beneficiaram do processo de certificação, um número aquém das expectativas”, relatou o representante da CTA.
A empresa Maputo Port Development Company (MPDC), concessionária do Porto de Maputo, aponta como objectivo dos debates a abordagem de soluções existentes no mercado que possibilitem a certificação das PME, pois o acesso a serviços de certificação constitui uma ferramenta essencial para transmitir credibilidade dos produtos aos mercados.
Contudo, o desconhecimento e os custos na implementação de sistemas e normas internacionais fazem com que haja uma fraca adesão à certificação e consequente exclusão de grande parte das empresas na lista das elegíveis para prestar serviços nas multinacionais. (Evaristo Chilingue)